quarta-feira, 28 de novembro de 2007

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Por que não aprendemos com as tragédias?

Por Romero Cruz

Diante dos últimos acontecimentos no Brasil e no mundo, tenho me perguntado: Por que não aprendemos com as tragédias? Por que os governantes e a população não reagem? Por que as tragédias continuam acontecendo? E principalmente: Quando aprenderemos?

Tragédia como a da garota de 15 anos que ficou presa por 24 dias com 20 homens na delegacia do município de Abaetetuba, no nordeste do Pará, sendo abusada sexualmente em troca de comida. E quantas outras meninas e mulheres sofrem violência caladas, vitimadas pelo abandono, por uma sociedade machista em que reina a impunidade.

Tragédia de cidadãos que trabalharam durante a vida e lutam por uma aposentadoria digna, não tendo seus direitos reconhecidos, sofrendo nas humilhantes filas do INSS por esse pais e em alguns casos chegando a morrer na espera. Ano após ano, as histórias se repetem.

Tragédia de presos que se amontoam em penitênciárias superlotadas, aguardando um julgamento do nosso lento poder judiciário no falido sistema penitênciário brasileiro, onde presos são tratados como bichos, gerando ódio e indignação. A recuperação desses cidadãos só mesmo por vontade própria, pois o Estado não oferece condições. As rebeliões são um grito por mais dignidade para essas pessoas que, mesmo com seus erros, merecem uma oportunidade de recuperação por parte do Estado.

Tragédia das nossas crianças que perdem a esperança de um futuro, virando apenas dados estatísticos. Não são respeitados seus direitos à educação, à saúde e ao bem estar. O que será do futuro de um pais que abandona suas crianças, deixando-as viver pelas ruas, como mão-de-obra para o tráfico, aliciadas para a prostituição e sofrendo todo tipo de violência?

Tragédia como a que vimos neste domingo último no estádio da Fonte Nova em Salvador. O que era para ser uma festa pelo retorno do time do Bahia para a segunda divisão do campeonato brasileiro, ficou marcado pelo desabamento de parte da arquibancada que ocasionou a morte de sete pessoas e aproximadamente 25 feridos. Até a copa de 2014 as autoridades terão que trabalhar muito para deixar os estádios seguros, mas até lá, que os deuses nos protejam.

Tragédias naturais como a do ciclone Sidr, que deixou mais de 3 mil mortos e aproximadamente 3 milhões de pessoas desabrigadas em Bangladesh na semana passada. As autoridades ambientais não cansam de denunciar a ação destruidora do homem no planeta Terra, causando mudanças climáticas e prevendo conseqüências assustadoras para a vida na Terra.

Se eu continuar enumerando as tragédias, esse texto não terá fim. Apenas citei algumas, e todas são tragédias anunciadas, que poderiam ser evitadas. Mas, como nunca aprendemos, elas continuarão se repetindo. Quem sabe no noticiário de amanhã.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Entrevista com Isabela Boscov

Isabela Boscov, editora de cinema da Revista Veja, fala, nesta entrevista, sobre o filme Tropa de Elite.

Semana em Foco: Qual a novidade que o filme Tropa de Elite, trouxe para o cinema nacional?

Isabela Boscov: O cinema brasileiro por uma série de razões, sempre se preocupa mais com o ponto de vista do crime ou da proximidade dele, tem sempre muitas histórias que influenciam isto, hábitos narrativos e ideologias. Teremos policiais como personagem desta vez, e o policial mesmo utilizando métodos deploráveis e cruéis, é um policial que quer se manter honesto e fazer alguma diferença no trabalho dele.

SF: Qual o público-alvo do filme Tropa de Elite?

Isabela Boscov: Discordo desta visão, acho que o filme foi feito para qualquer um. Essa visão mercadológica existe em uma parcela do cinema brasileiro, mas no geral é uma maneira americana de ver o cinema brasileiro, porque o cinema americano tem uma origem mercadológica. O cinema brasileiro não se orienta desta forma, no geral, principalmente em filmes mais pessoais como o Tropa de Elite, Cidade de Deus e o Cheiro do Ralo, têm todas as categorias de filme que você pode imaginar, nasce mais da vontade do cineasta.


SF: O filme choca mais pelo conflito social que traz do que pelas cenas em si?

Isabela Boscov: Eu acho que Jose Padilha, tem uma vocação especial mesmo, tanto no 174 (documentário Ônibus 174), quanto neste filme, dá uma visão tão cheia de facetas, sobre o tema que ela de fato se torna chocante, você vê aquele assunto na totalidade dele, que acaba virando mais chocante do que a cena, tem sim muitas cenas chocantes, um exemplo é a cena do saco plástico, que é horrorosa, ver a situação tão completa o torna absolutamente chocante.

SF: O filme não traz uma solução, por isso, não tem um fim, isso o tornou mais real?

Isabela Boscov: Não há uma solução simples. Onde está a solução? O que o filme faz na verdade é o seguinte: Te dar uma série de dados e regras, e dentro destas regras, mostra como que estes personagens podem se movimentar. O filme choca inclusive porque ele não propõe nenhuma saída, ele termina sem dar uma mudança de regras, porque realmente você tem que começar do zero novamente.

SF: O filme levanta a polêmica do financiamento do tráfico por “playboys”, ele rompe o estereótipo de que drogado é só pobre e favelado?

Isabela Boscov: O tráfico no Brasil e no mundo, sobrevive do usuário recreativo e o fato de o diretor colocar este consumidor eventual, que acha que não esta fazendo mal nenhum, pelo contrario é apresentado como sócio do crime. É uma coisa que vários secretários de segurança já tentaram mostrar e desistiram, mas o filme deixa isto muito claro.

SF: Em uma entrevista, o diretor Jose Padilha, disse que não imaginava que seu filme seria tão pirateado, se mostrando decepcionado em investir no cinema nacional. O que você tem a dizer sobre isso?


Isabela Boscov: Eu sou radical neste ponto, lei é lei, e se você acha que é injusto, como membro da sociedade, tem que se unir ao demais e tentar mudar, pirataria é crime. Comprar um CD aqui, um DVD ali, você está sendo sim, sócio do crime.
Existe uma visão que eu acho completamente equivocada, de que a pirataria é uma forma de disseminar a cultura. O José Padilha esta sendo privado do direito dele, ele não vai recuperar tudo aquilo que ele investiu.

SF: O capitão Nascimento no filme é um policial “herói” cheio de problemas. As pessoas se identificam com ele?

Isabela Boscov: Diante da violência social, como no caso de João Hélio (garoto que foi arrastado e morto por assaltantes no Rio), as pessoas vêm levando suas emoções ao extremo, querendo tirar os assassinos da face da terra. Eu saí do filme mais convicta do que nunca, de que a violência é a pior resposta para a violência.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Elaine Brum, uma inspiração!

Por Patrícia Aguiar

Entre os dias 15 e 18 deste novembro de 2007, aconteceu no Memorial da América Latina o I SALÃO NACIONAL DO JORNALISTA ESCRITOR, com convidados especialíssimos participando de palestras, debates, entrevistas e mesas de autógrafos. ( como já escreveu minha colega Telma, em postagem anterior ).
Em particular posso narrar os acontecimentos do dia 18 de novembro, quando ocorreu a finalização do evento e dia em que estive presente.

Na roda de debates, eram convidados os jornalistas, Caco Barcellos, Elaine Brum e Domingos Meirelles e intermediando a mesa estava, Florestan Fernandes Júnior. ( Antes, abrindo o dia, estiveram presentes Juca Kfouri e Moacyr Scliar, presenças que infelizmente, não consegui apreciar ).

Destes três competentes jornalistas, o que mais me comoveu e de certa forma inspirou, foi Elaine Brum. Com um discurso firme e incisivo, ela não deixou margem a dúvidas a respeito de sua convicção sobre o trabalho e postura do jornalista. Enfatizou que talvez a preguiça seja o maior mal dos profissionais atuantes no mercado. Falou que era necessário compromisso com a verdade factual. Defendeu com ardor que o laboro necessário a realização de uma reportagem de fundamento e valor, parte de uma apuração rigorosa, da busca do confronto de dados, da maior aquisição possível de relatos reais do acontecimento tratado. Falou da dificuldade que é ser um jornalista ético, em uma máquina jornalística que é, sobretudo, empresa de capital e como capital, visa lucro e portanto, muitas vezes, não tem interesse em “determinadas” histórias. Vislumbrou como solução para a continuidade da boa reportagem, o livro reportagem, além dos blogs e a luta diária por um espaço nas redações, sejam quais forem às empresas em que estiverem inseridas. Enfatizou que uma reportagem bem executada, em todas as suas etapas, terá sempre lugar se acompanhada de uma defesa fervorosa.
Elaine Brum é dessas pessoas que ao falar/escrever, convencem, ou no mínimo, empolgam, quem a escuta ou lê.

Domingos Meireles e Caco Barcelos, muito competentes, fizeram eco a fala de Elaine e ainda nos brindaram com a narrativa de situações pitorescas ou difíceis que atravessaram para construir suas carreiras e as aventuras e riscos com as quais se depararam em busca das reportagens de suas vidas.

Sou uma admiradora entusiasta de Mino Carta e apesar de não concordar em 100% com tudo que diz, não posso resistir a este veterano na guerra que é fazer jornalismo crítico e consciente em nosso país. O charme que a experiência e a sua simples presença transmite, é algo que talvez atrapalhe um julgamento.

Mino Carta foi o entrevistado da noite. Respondeu a todas as questões sem titubear e sem medo de exprimir sua visão do mundo e suas instituições. Rechaçou os Civita, criticou a mídia nacional, falou de política e economia.
Falou também das convicções fundamentais de um jornalista: procurar categoricamente e fielmente a verdade factual, vigiar incansavelmente o poder ( em qualquer instância ), conhecer e amar sua língua natal.
Por fim, foram grandes lições que certamente mereciam espaço para serem difundidas.
E, posso com convicção afirmar, que a empolgação e inspiração, ganhas neste dia, irão seguir-me daqui por diante.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Desigualdade social ou racial?

Por Tatiana Melim
Nessa última terça-feira, dia 20 de novembro, comemorou-se em algumas cidades o dia da Consciência Negra. Para muitos a data não passou de um simples feriado, porém as reflexões étnicas e sociais que diversos movimentos proporcionam nesse dia valem muito mais do que apenas estar de folga do trabalho.

No mesmo dia, li um artigo em que o título dizia: A desigualdade social no Brasil é definida pela diferença de raça. E eu, ao pensar sobre o assunto, não discordei de tal afirmação. Basta verificarmos os dados disponíveis.

Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), o ganho mensal dos negros pode ser até 52,9% menor do que dos não-negros. A fundação SEADE (Sistema estadual de Análise de Dados), também em estudos, mostra que os negros enfrentam dificuldades para ocupar os melhores postos no mercado de trabalho. Segundo a pesquisa cerca de 4,6% dos negros do estado de São Paulo ocupam cargos de direção ou planejamento, enquanto os brancos ocupam 18,2%.

Pode parecer absurdo que no país em que sua formação está totalmente ligada à mistura de raças ainda há índices como esses. É constrangedor, sobretudo intrigante, saber que em um mundo onde as pessoas se consideram tão avançadas, sempre descobrindo novas tecnologias, há ainda essa discussão e essa luta pela busca da Igualdade Racial.

A sociedade não precisa, por exemplo, de um crescimento de mais de 5% ao ano, e sim que esse crescimento se dê por igual. Porém, a sociedade também precisa entender que somos todos iguais e, por isso, poderia dar mais valor e entender mais esse movimento importante e que colabora na luta por um melhor desenvolvimento social.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

¿Por qué no te callas?

Por Romero Cruz

A 17ª Cúpula Ibero-americana de chefes de Estado e de governo só não foi um fracasso total porque aconteceu uma cena inusitada, protagonizada pelo Rei da Espanha Juan Carlos e o Presidente “camarada” Hugo Chávez.

A discussão começou quando Chávez criticava severamente o ex-primeiro ministro espanhol José María Aznar o chamando de facista e o atual primeiro ministros espanhol José Luis Rodríguez Zapatero pediu respeito a Chávez, pois, mesmo não concordando com as idéias do seu antecessor, Zapatero lembrou que ele foi eleito democraticamente pelo povo espanhol. O Presidente venezuelano não parava de falar e ouviu um “¿por qué no te callas?” do rei espanhol, que se retirou do encontro.

O marco desse episódio foi que pela primeira vez cara-a-cara alguém teve a coragem de tentar colocar Chávez no seu lugar. O Presidente venezuelano não se comporta diplomaticamente em suas aparições, desrespeitando chefes de Estado e organizações. Penso que sua tentativa é de despertar um sentimento nacionalista contra o mundo, alimentando sua ambição de se perpetuar no poder, O mundo é mau, eu Hugo Chávez sou bom, a Venezuela sou eu.

Chávez continua sua peregrinação pelo mundo juntando aliados contra o império do mal, os Estados Unidos. Em recente visita ao Irã depois do encontro da Opep, ele ameaçou os Estados Unidos com mais uma alta do petróleo, como só os americanos sofressem com isso. Será que ele não sabe que o mundo inteiro é prejudicado com sua falta de juízo?

A máscara do “ditador” Chávez está caindo, a população venezuelana já está se mobilizando, os estudantes (sempre eles) já estão indo às ruas protestar contra o domínio chavista. Os petrodólares do “camarada” Chávez não conseguem comprar uma população, que começa a gritar por uma democracia verdadeira, respeitando as instituições e a liberdade. Chávez, você não é a Venezuela, a nação é maior.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Que sei eu de mim ?

Por Telma De Luca

Final de semana mais do que prolongado em São Paulo. Dois feriados "emendados" e vários dias de folga. E no meio do caminho, um ciclo de palestras. "Obrigação chata!", pensei num primeiro momento. Tolinha.

Tive o prazer de assistir a algumas das palestras do I Salão Nacional do Jornalista Escritor, realizado no Memorial da América Latina. Jornalistas-escritores mais do que experientes dando seus depoimentos, falando sobre nossa profissão, suas agruras e suas recompensas. Tudo muito produtivo e enriquecedor. Saí de lá ainda mais certa de estar no caminho, mas...não foi esse o pensamento que me corroeu e fez minha alma revirar. Saí de lá pensando na humildade.

Sim, na humildade. Não na falsa humildade, aquela que vem recoberta por uma certa camada de timidez ou de deslocamento social. Não. Aquela. A verdadeira. A que nos faz olhar com firmeza nos olhos dos outros, ver seu brilho e sabiamente reconhecê-lo.

Aquela, de saber que somos eternos aprendizes, mesmo quando, pretensamente, já "vimos de tudo nessa vida". A humildade de conhecer nosso talento e, ainda assim, saber ouvir, aprender, apreender e guardar o que houver de bom nas palavras de alguém.

Não acho, mesmo, que alguém deva se fingir de menos ou colocar-se na posição de "coitadinho" para parecer humilde. Não. A segurança de dizer "não sei" é muito mais honesta e verdadeira do que a pretensão de tudo saber ou conhecer. Alguém já disse "Só sei que nada sei" (Sócrates ?) e eu, pretensa filósofa de mesa de bar, digo,depois de tantos exemplos, "só sei que nada sei, ainda bem !".


quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Câmara dos Deputados censura arte.

Por Thais Marcondes

Com tempo de sobra, na manhã de hoje, deputados da Câmara censuram uma das 24 fotografias da exposição Heróis, do fotógrafo Luiz Garrido, expostas no Salão Negro do Congresso Federal.
A foto da transformista Rogéria, chamou a atenção da chefe do setor de Relações Publicas da Câmara, Silva Mergulhão, alegando que a foto não poderia ser exposta pelo fato da exposição ser visitada por menores de idade.

Tal fato ocasionou grande bate boca, e o chefe de gabinete da Diretoria Geral, Pedro Pelegrini, pediu à organizadora Karla Osório que retirasse a foto, entretanto Karla argumentou que somente retiraria a foto se toda exposição fosse censurada também, alegando que o conjunto da obra formava a essência que a exposição gostaria de transmitir.

Na foto, Rogéria aparece vestindo uma camisa masculina aberta, uma gravata e está com pernas cruzadas mostrando os pêlos pubianos. A exposição mostra retratos de personalidades que vão de Fernando Collor, Armando Falcão e Antonio Carlos Magalhães a Tom Jobim, Cauby Peixoto, os jogadores Didi e Betinho, Zagallo e o presidente Lula fumando um charuto, envolto numa nuvem de fumaça
A discussão foi finalizada com a Câmara cobrindo a foto com um tapete e censurando a foto ao invés de se preocuparem com os problemas empurrados para baixo do tapete vermelho por onde eles passam.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Falta gás para o Brasil crescer e inteligência para os nossos governantes

Por Romero Cruz

Na quarta-feira da semana passada, a Petrobrás interrompeu parcialmente o fornecimento de gás para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, mas teve que normalizar o abastecimento após decisão da justiça do Rio. Especialistas afirmam que a redução do fornecimento de gás no Rio e em São Paulo é a "crônica de uma crise anunciada".

A indústria nacional depende do gás que vem da Bolívia como gerador de energia para a sua produção, usado também nas termoelétricas, pois nossas hidroelétricas não dão conta de atender a demanda, além do comércio, residências e nossos carros com GNV (cujo uso é incentivado pelo governo).

Nos anos 90 o Brasil fechou acordo com o governo boliviano para exportação do gás, investindo na construção de refinarias e inaugurando em 1998 o gasoduto Brasil-Boívia, com o investimento total de 8 bilhões de dólares. Em maio do ano passado o Presidente boliviano Evo Morales decide nacionalizar toda a produção de hidrocarbonetos, “invadindo” as refinarias da Petrobrás Bolívia com militares, causando um constrangimento mundial ao governo brasileiro. Só em maio desse ano o governo boliviano paga US$ 112 milhões de dólares de indenização ao governo brasileiro, que queria 160 milhões. Depois disso a Bolívia ainda cortou a exportação em 20% e aumentou o preço do gás.

O governo brasileiro poderia ter agido com “pulso firme”, exigindo o cumprimento dos contratos por parte do governo boliviano junto a OMC (Organização Mundial do Comércio), mas o que vimos foi o Presidente Lula defendendo a atitude do seu “camarada” boliviano. O Brasil continuou importando o gás boliviano, já que não tinha alternativa em curto prazo. Houve crescimento industrial, conseqüente aumento do consumo e nenhum investimento (lógico) da Petrobrás na Bolívia. Agora, nosso presidente tem que ir à Bolívia atender às chantagens do seu “camarada” boliviano, que exige investimento brasileiro em seu país.

O medo de um apagão (como em 2001) afasta os investimentos de longo prazo. Segundo Hélder Queiroz, professor da UFRJ, afirma que na prática existe, um "racionamento branco" de gás. "Se um grande projeto industrial precisasse de gás no Sul, a distribuidora não teria como atendê-lo. Qualquer demanda adicional já enfrentava restrição de oferta. Não tem plano nem prioridade e muito menos uma sinalização clara da demanda", disse. http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u341715.shtml

A falta de planejamento do setor energético é clara. Quais são os investimentos em fontes alternativas de energia? Como por exemplo, energia solar e eólica, que tem baixo custo e são puras, sem causar danos ambientais.

Nesta segunda-feira, nosso presidente afirmou que está fazendo "o que precisa ser feito”. Primeiro ele não disse o que está fazendo e segundo é o que se espera do presidente, que se faça algo com inteligência. Pois não tenho tanta fé pra fazer chover, nem paciência para ouvir demagogia. A culpa está sempre no passado.

domingo, 4 de novembro de 2007

A vaca foi pro brejo...

Por Telma De Luca


Esta semana resolvi escrever sobre um assunto que é pauta de todos os veículos de comunicação ultimamente: o tal do leite adulterado. E, sinceramente? Eu não sei o que é mais prejudicial à saúde: o leite ou as declarações de nossos representantes a respeito.


O Ministério da Agricultura diz que "não há risco iminente para a população". Sim, acredito que ninguém morra horas depois de beber o leite, mas a longo prazo o que acontece com o nosso organismo? No mínimo, não temos os benefícios deste alimento tão importante para as crianças e para os idosos, que precisam de doses maiores de cálcio para terem ossos fortes. Já o deputado Paulo Piau (PMDB-MG) provou o leite em público para mostrar que não existe problema algum e ainda afirmou:"É um produto fraudado? É, mas até o fraudado tem a sua qualidade".

Então, peraí. Vamos por partes. A declaração do Ministério mais se parece com aquela famosa afirmação de Paulo Maluf "estupra, mas não mata". Sim, o leite causa danos, mas não mata, portanto, bebam tranqüilos ! Já a do deputado me faz pensar nos produtos piratas à venda no País e sobre os quais podemos seguir a mesma lógica "É um produto pirata? É, mas até o pirata tem a sua qualidade". São iguaizinhos. Ambos produzem empregos, sustentam famílias inteiras e... rendem bastante aos fiscais do Governo. Do contrário, já estariam banidos.

Além disso, o mesmo deputado disse que querer melhorar a qualidade do leite a curto prazo é o mesmo que querer acabar com o analfabetismo no Brasil.

Sabe que nesse ponto eu concordo com ele ? Ambas tarefas exigem esforço, trabalho maciço, realização de fato, menos bla bla bla, contratação de gente capacitada e disposta e interesse verdadeiro em ter um povo capaz de entender e criticar. Realmente, diante do quadro político que vemos hoje, parece impossível.

E enquanto isso, na Sala de Justiça...cuatro años más para el compañero ???

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Copa do mundo de 2014 será no Brasil

Por Patrícia Aguiar

Me perdoem o plágio no título.
É esse o destaque da primeira página da Folha de São Paulo desta manhã, quarta feira ( 31/10/2007).
Me perdoem a irritação que perceberem no texto a seguir.
Não é que eu não goste de futebol, pelo contrário, sou uma mulher interessada nos esportes em geral e como a maioria dos brasileiros, tenho uma "quedinha" maior pelo futebol.
Também, não posso negar, lá no fundo, que eu pense que o Brasil algum dia tinha que sediar novamente uma copa, meu Deus!( misturar as palavras, Deus e futebol, é tão comum pra nós, mas acho que nem sempre Ele ( Deus ), deve ficar contente com isso).

Entretanto, vamos observar com cautela a primeira página do jornal citado.
Uma foto gigantesca contendo os personagens: Lula, o "salvador da pátria", "homem do povo" que chegou ao poder; Dunga, o antigo "capitão" da seleção, hoje "capitão" da seleção e que tem como missão apaziguar egos de outros "homens do povo" que chegaram ao poder; Paulo Coelho, o "mago", antigo roqueiro, drogado, alucinado que galgou os andares do Olimpo e com suas letras, chegou ao poder; Marta, ah! Marta...de vermelho, curiosamente de vermelho; Romário, com a taça na mão, representando a "vontade popular", o arquétipo do povo ( e não precisamos do Pelé, "o que se tornou burocrata a partir do futebol" ), nossa memória emocional recente pede o Romário; Ricardo Teixeira e Joseph Blatter, os homens de comando, representam o poder.

Se já sabíamos que éramos nós os "contemplados" ao direito de sediar a Copa do Mundo de 2014, para que tão "ilustre" comitiva? Talvez possamos dizer: _ E que comece a distribuição das "Retirada$" !

Voltemos a observação inicial:
Os personagens da foto, estão envoltos pelo fundo azul, marca ufanista nacional, sombreados pela promessa do mundo se rendendo ao Brasil que o título do texto evoca. E logo abaixo, mais uma "boa intenção" escrita em letras garrafais: "Lula propõe mais R$ 4 bi para saúde. E tem mais. Tem uma foto do Padilha, com dedo em riste e olhar firme, legendada com a frase em fundo verde, marca ufanista nacional, que diz: Josá Padilha, diretor de "Tropa de Elite", nega que miséria seja a principal causa da violência no país. Ao lado da foto, um infográfico em verde e amarelo com notícias amenas dos cadernos de cultura e informática. E há ainda, destaque para a notícia de financiamento de imóvel com o utilização do FGTS de até R$ 350 mil!

Tudo está lindo no país verde, amarelo, azul e branco, minha gente!
Os bilhões que serão aplicados para melhoria dos estádios e infra estrutura, que inevitavelmente irão rechear o bolso das empresas que "ganharem" as licitações e para os políticos que correspondam aos orgãos envolvidos, estão em festa.
Aliás, como se dizia à época do regime militar: Futebol é o ópio do povo.
Circo, carnaval e futebol para o povo!

Educação, saúde, segurança, distribuição de renda, talvez não justa, mas em um menor nível de crueldade, são meros elementos de discurso cansativo e sem solução.
O importante é que vamos investir na Copa do Mundo no Brasil.
Tropa de Elite na frente, não que fosse a intenção do Padilha, mas a obra se tornou domínio de todos, virou "grito de guerra" e até da propaganda do governo. Futebol pra envolver a massa. E o Etanol como símbolo maior de marketing, para alçar quantias vultosas e engordar os bolsos dos já bem encaminhados no país e pelo mundo.

Aliás, estamos no mundo. Ou talvez o mundo se volte para nós.
Afinal A Copa do MUNDO de 2014 será no Brasil, minha gente!
Alegrem-se!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

RENASCER OU MORRER

Por Fernanda Baptista

Nesta segunda-feira (29) foi 'aceita' pelo juiz auxiliar da 30ª Vara Criminal do TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo, André Carvalho de Almeida, mais uma denúncia, contra o casal de fundadores da Igreja Renascer, Sônia e Estevam Hernandes, esta por crimes contra ordem tributária. (vide notícia da folha online http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u340797.shtml ).

Entre os crimes e acusações que envolvem este casal e estão sendo investigados pelo ministério público, estão: estelionato, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. Todos com uma raiz: o dinheiro.

O casal ainda está no exterior onde cumpre uma reclusão de 140 dias desde o caso do dinheiro não declarado que foi encontrado dentro de uma bíblia. Prestes a voltar ao seu país, as prisões brasileiras já se encontram de portas abertas para cumprir o mandato de prisão pré-determinado.

Não escrevo este texto para julgá-los e isso nem cabe a mim. Mas sei que a parte interessada da sociedade se pergunta: “Como um casal de 'bispos' pode fazer isso?...Não são eles os que se diziam 'a verdade na terra'? Como pode pareciam tão sinceros!...”

O que acontece e preciso ressaltar é: que as mensagens bíblicas (que estes dois indivíduos ministraram) está intacta, pois a bíblia permanece a mesma e não muda por causa de atitudes humanas. O próprio Jesus Cristo pregou: “Dai a César o que é de César”, quando um de seus discípulos veio lhe perguntar se Ele pagaria os impostos.

Ainda sim acredito no arrependimento, deixar de errar tanto para acertar um pouco mais, acredito no renascimento de alguém que opta por mudar sua conduta e converter-se a um novo caminho e começar tudo de novo, do zero.

Corrupção, ambição, ganância e a vergonha como conseqüência estão em todo lugar, além deles, que estão expostos a mídia, outras milhões de pessoas cometem o mesmo erro. Não preciso nem ressaltar, não é? (Casos Renan e cia, gangs de punks e skinheads, Padre extorquido, entre outros). E sabe por quê? Porque ser humano é igual em todo lugar e cada um responde por si.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

O Jogo de Interesses no Mercado Global

Por Tatiana Melim

Ocorreu essa semana uma operação da polícia federal conhecida como Ouro Branco e que descobriu adulterações na produção do leite das Cooperativas Coopervale e Casmil. O objetivo da fraude era aumentar o prazo de validade e o volume do produto com a intenção de se obter mais lucros (20 mil por dia segundo a PF).

A manobra realizada pelas cooperativas foi a adição de água oxigenada e soda caústica no leite, produto básico de consumo da sociedade. Um dos aspectos interessante do ocorrido foi a declaração do presidente da Coopervale dizendo que não consome o produto pois pode fazer mal à saúde.

Pode parecer absurdo, mas atividades antiéticas como essa fazem parte do jogo de interesses dos investidores do mercado. Essa competição desenfreada por busca de lucro e sucesso foi intensificada nos últimos tempos com o avanço da globalização. Tal processo, que permite fusões e integrações, transformou os indivíduos em consumidores que alimentam a máquina de lucro dessas grandes Corporações.

Dessa forma, conclui-se que nós alimentamos a máquina que produz a concentração de renda e que, conseqüentemente, faz a renda do trabalhador comum diminuir. E então, eu me pergunto: Como irá fazer um trabalhador que viu a sua renda diminuir, passou a fazer hora extra e ainda tem que pagar cada vez mais taxas, como a CPMF?

A solução não é tão simples de se buscar. E a mudança provavelmente não virá, se os interesses de órgãos específicos (uma minoria) se sobrepor à sociedade. Portanto, é necessária a realização de uma “fraude” – por parte da sociedade - a essas Corporações que contribuem com a posição do Brasil como um dos países com pior distribuição de renda.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Semana da Comunicação

Semana da Comunicação.

Por Thais Marcondes.
Semana passada, pós feriado prolongado, nós estudantes de comunicação nos deparamos com uma semana destinada à nós.A Semana da Comunicação.

Muitos com a preguiça aguçada pelo feriado, mais vamos lá.
Porem, surpreendeu, grandes dinossauros das mídias tradicionais estavam lá, dispostos a nos contar suas historias e abrir um pouco da nossa pequena visão sobre um mundo ainda não vivido.

Dando uma ênfase para a palestra do jornalista Jose Hamilton Ribeiro,foi fascinante.Alem de divertida, montou seu ponto de vista bem vanguardista em se tratando de novas mídias e o futuro do jornalismo.
O jornalista focou bem que estamos passando por uma fase de transição, que o jornalismo tradicional esta passando na verdade por uma nova fase.

Entretanto, quem esta se renovando, se adiantando em tempos tecnológicos , quem esta ligado nas novidades e acompanhando o andar da carruagem pode enxergar estes tempos difíceis para se renovar e tem a possibilidade de passar na frente de muitos acomodados.

Eu particularmente não vejo a internet como uma inimiga e sim como uma nova forma de colaborar com a rotatividade da informação.Claro que os novos consumidores, que são estes pré-adolescentes possuem um novo perfil. Para superar esta crise de mudança, os meios tradicionais tem que se adaptar e transformar a tecnologia como uma aliada.

Já na saída da palestra, me senti animada para o que viria nas próximas palestras, e que o 0,5 ponto na média era nulo comparando ao grande conhecimento que adquiri neste dia.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Violência, mas o que é violência?

Por Romero Cruz

Na semana passada tive a oportunidade de assistir no cinema o filme Tropa de Elite com uma carioca “da gema”. Quando terminou o filme perguntei: O que você achou? Ela respondeu: “Normal”. Fui para casa pensando naquela resposta, não conseguia aceitar aquela resposta porque eu não achava aquilo “normal”, mas aquela realidade ela conhecia.

Chegando em casa, vi pela TV as cenas da ação da polícia do Rio na favela da Coréia, onde policias atiravam em supostos traficantes de um helicóptero e logo lembrei dos filmes de guerra quando jovem (Platoon, Rambo...), lembrei também da resposta da minha amiga, “normal”, mas aquilo não era normal, e incomodava.

No dia seguinte, estava no carro parado no trânsito de São Paulo, pensando na noite anterior, quando bateram no vidro do carro, que susto! Mas, era só uma criança pedindo 'uns trocados" no farol. Ufa! “Normal”.

Vamos parar por aqui! As coisas não podem ser tão “normais” assim, na operação policial morreram 16 pessoas (até quando escrevi esse texto, porque a cada dia surgem mais vítimas), entre eles Jorge Cauã Silva de Lacerda, de apenas 4 anos de idade. O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, disse que vai enfrentar o crime organizado com ações policiais, de 1º de janeiro a 30 de setembro, a polícia do Rio já tinha matado 961 pessoas, média de sete mortos a cada dois dias segundo o ISP (Instituto de Segurança Pública), vinculado à Secretaria de Segurança. Temos ainda o problema das milícias que são bandidos que usam ou usavam fardas. E no meio dessa guerra, temos a população, que sofre a carência da atuação do poder público pela falta de educação, saúde, infraestutura e políticas sociais.

Não estou aqui para escrever quem é inocente, quem age de maneira barbara, quem é incompetente ou culpado. Apenas para dizer, que sem oportunidades de um futuro melhor, nossas crianças de hoje estarão nas manchetes policias de amanhã. Enquanto nossas crianças estiverem nas ruas, a sociedade não assumi-las, veremos essas cenas muitas vezes ainda. E pelo sucesso que fez (a violência dá Ibope), assistiremos Tropa de Elite VII “A guerra não tem fim...”, isto é, assistirei se antes não tomar um tiro distraído no trânsito de São Paulo, por quem sabe, aquele garotinho que cresceu e um dia bateu no meu vidro pedindo apenas "uns trocados". Estamos perdendo o sentido do que é violência, e do que é “Normal”.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Apenas mais uma carta de amor

Por Telma De Luca


O "circo" da Fórmula 1 está chegando a São Paulo, os hotéis cheios, os restaurantes ávidos pelos abonados clientes, as profissionais de vida nem tão fácil assim sendo procuradas, mas....cadê você ?

Eu nunca fui fanática por Fórmula 1, dessas de saber quantos pontos alguém está à frente de outro, quais são os circuitos corridos durante o ano ou se determinada pista é mais rápida ou mais lenta. Mas aos domingos você me chamava para a frente da televisão. E não era de um jeito meigo ou delicado, a sua cara era até um pouco fechada. Na verdade, acho que hoje, com alguns anos passados, eu poderia até chamá-lo de ranzinza. Parecia que sempre estava pronto a mandar alguém ficar quieto ou dizer como é que as coisas têm de ser feitas. Não lembro o dia, nem mesmo o ano e até fico em dúvida se realmente foi no Brasil; mas lembro de sua figura meio trôpega com cãimbras no corpo todo erguendo uma taça realmente merecida.

Lembro também que quando eu vi "mais um" acidente, pensei "ih, logo logo aí vem ele com a sua cara de poucos amigos, batendo o pó do macacão e reclamando de algum mecânico". Esse ano,sim, eu lembro, 1994. Estava na faculdade e tinha de estudar para a prova do dia seguinte. Lembro que meu pai me chamou para ver o que acobteceu, comentamos "mas já ? que pena!" e seguimos, eu estudando e ele vendo a TV.

Mas você não saiu reclamando, não bateu o pó do macacão e nem fez cara de ranzinza. Horas com o rádio ligado, ouvindo as notícias do hospital na Itália. Elas eram desencontradas, nos davam e tiravam esperanças a cada minuto. Também chega à minha memória ouvir aquele comentarista da Globo que grita bastante dizer "Ayrton Senna morreu". No dia seguinte, as ruas estavam quietas, a tristeza estava estampada em todos os rostos, inclusive daqueles que, como eu, não eram aficcionados pelo seu esporte. Eram fascinados por você, por seu espírito guerreiro e sua maneira objetiva e serena de dizer "corra atrás dos seus sonhos", "acredite em você". E como duvidar ?

Não sei se você foi o mais brilhante, o melhor de todos os tempos, tecnicamente falando, mas nesta semana muitos mais lembrarão de você e a sua musiquinha vai tocar pelo mundo afora. Escrevo apenas porque lembro de você dizendo com palavras e de meu pai, que também não está mais aqui, com atitutes: "Acredite nos seus sonhos".

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Ai, ai...é um pesadelo?

Por Patrícia Aguiar

O Padilha defende seu filme. Diz que Tropa de Elite não é facista e que o Estado brasileiro tortura seus presos. Há superlotação nas cadeias e os protagonistas que "residem" nestas, atores de delitos menores e crimes hediondos, freqüentam as mesmas celas. Em um sistema judiciário deficitário recebem as mesmas penas, por que sequer são julgados. E todo mundo sabe disso.( Programa Roda Viva ( 08/10 ), na TV Cultura ).

Na Folha de São Paulo, do dia 16 de outubro, no caderno Tendências / Debates, Reinaldo Azevedo, defende as cadeias superlotadas. Diz que São Paulo diminuiu a criminalidade nos últimos anos, porque prendeu mais. Acho que ele deve viver em algum universo paralelo, sei lá!

Não há decentes locações ou salários para professores, que dirá estímulos extras.
Os jovens cidadãos estão cada vez mais analfabetos políticos, de letras, de moral, de atitudes. Lembro vagamente de uma época em que falava-se em acabar com analfabetismo no Brasil, eram idos de 70/80, eu ainda jovem, uma criança. As "grandes soluções" da época eram o MOBRAL e o Telecurso 2ºGrau, veiculado pela Rede Globo. E o analfabetismo fincou raiz.

E tem o Etanol, as viagens do presidente pra África tentando afastar a China, nosso “joanete comercial”.

Na chamada da TV Cultura para o programa Provocações, de amanhã (17/10), é possível ouvir o apresentador Abujamra perguntar ao José Dirceu, seu entrevistado, algo como: _ Como é, passar do título de herói da ditadura, há chefe de corrupção de um governo? – ao que o ex-deputado federal responde – Nada foi provado contra mim.

Todos comentam sobre um firmado acordo para saída do Renan. Todos falam que o Presidente do Senado, vulgo “Teimoso”, está acabado! Voltará só para desfilar pelo Congresso.

Ai, ai...Acordos pelo poder, desfiles de ofertas de votos, revistas de nu para oportunistas, corruptos e a amoralidade, corruptíveis babando por dinheiro, corrompidos e a tão em voga falta de caráter partidários e o que mais for possível vender.

Ai, ai... que será deste país gigante e seus “pequenos” milhares de integrantes? Que será dos interesses coletivos ( esses mesmos, que acabam beneficiando um número maior de cidadãos quando bem executados ), substituídos pelos interesses único do capital, tão maléfico a todos e que como o efeito estufa já causa tanto mal, mas a médio e longo prazo, nos destruirá?

Ai, ai...e o que um novo jornalista no meio desta imprensa corruptível ( leia texto abaixo da minha colega Tatiana Melin, postado em 10/10/2007 ), pode esperar, produzir e/ou transfomar, desta realidade?

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Procura-se Professores para o Ensino Básico

Por Fernanda Baptista

Hoje, dia 15 de outubro, que se comemora o “Dia dos professores”, o estudo divulgado pelo MEC revela que sobram formados e faltam licenciados para o efetivo exercício da profissão. Mais de 70 % dos formados em Licenciatura no País não trabalham como professores nas escolas brasileiras.

Salário baixo, desrespeito e desqualificação das escolas são as causas pelo qual muitos optam por trabalhar em outras áreas que não no corpo docente das escolas. Portanto, para suprir esta insuficiência, profissionais formados em outras áreas, ou mesmo professores de disciplinas diferentes, dão aulas nas salas que estariam abandonadas.

Os corajosos iniciantes na carreira como professores estaduais, chegam a receber 39% menos que um professor no estado do Acre (que lidera a lista dos estados que melhor pagam seus professores) na mesma fase. Já o número de profissionais veteranos que sonham em viver dignamente de suas profissões e serem respeitados é incontável.

Enquanto uns falam que com o salário “dá pra se manter”, tem o agravante que é a falta de condições de trabalho dignas. O ensino, a educação, conta com a paixão dos que lutam pela eficiência disso no estado, mas não há contrapartida.

Com isso, o grito dos professores pela valorização da profissão confirma a decisão dos licenciados que escolheram outro emprego, a permanecerem nele. Ou seja, imagino que enquanto não houver uma reforma no setor de ensino público, não haverá nem o interesse, quanto mais a migração dos profissionais atuantes em outros empregos.

O governo diz que pretende solucionar este problema, colocando-o como foco do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado neste ano. Enquanto isso segue a notícia, manchete do jornal, de que o governo de São Paulo pretende construir 44 presídios até 2010. Prioridades, prioridades...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Virando Pizzaiolo.

Por Thais Marcondes
Na madrugada desta quarta-feira, 10 de outubro de 2007, deputados aprovaram, sem substituição, a prorrogação da CPMF até 2011.
Pois bem, voltamos ao ano de 1997, a CPMF foi criada para substituir o IPMF (Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira), deste modo, foi aprovada inicialmente para ser provisório e com destino certo para o Fundo Nacional de Saúde. Passaram se 11 anos e o governo convenientemente aprovou sua prorrogação por mais quatro anos.
O caráter Provisório e o destino certo se perderam no tempo, sendo substituído pela palavra “Permanente”, com P maiúsculo sim, para simbolizar o mau uso do Poder,da falta de Punidade e a grande Pizza que o Brasil é obrigado a engolir sem ao menos um guaraná de acompanhamento. A CPMF esta diretamente ligada a elevação as taxas de juros,causando a inibição do crescimento econômico e diminui a base de contribuição e a arrecadação dos demais impostos.
Fazendo um cruzamento entre empresário (dono de algum estabelecimento ) e o cliente ,é errado pensar que o empresário paga o CPMF, quem paga na verdade é o cliente.O imposto esta incluso ao preço dos produtos e serviços adquiridos por nós brasileiros. O dono do estabelecimento está responsável por arrecadar do cliente e repassar ao governo.
É bom alertar que a “Grande Pizza” que compraremos nos próximos 4 anos, 0,38% do valor total,é o que pagaremos para os nossos políticos se divertirem as nossas custas.
Saiba mais sobre o cpmf, acesse:

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

O futuro da comunicação: Democratização ou Monopólio?

Por Tatiana Melim

Semana passada o bispo Edir Macedo, líder da igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record, concedeu uma entrevista na qual falou sobre a abertura do novo canal e o lançamento da sua biografia “A História Revelada de Edir Macedo”. O livro será lançado no próximo dia 15 e foi, curiosamente, escrito por um de seus funcionários, Douglas Tavolaro (diretor de jornalismo da Record).

Segundo a reportagem da Folha, o livro contém uma série de ataques diretos à Rede Globo, o próprio Edir Macedo em entrevista disse que irá “cutucar o fígado” da concorrente até “cair”. O livro, portanto, parece ser mais uma vingança e uma alternativa para atacar sua concorrente e inimiga direta do que propriamente uma biografia. Tal episódio me fez relembrar os últimos acontecimentos e refletir um pouco mais sobre a nossa comunicação.

Nas últimas semanas ocorreu a abertura da Record News em canal aberto, gerando um novo conflito e ataques diretos em editoriais da Globo e da Record. Houve também o “abafamento” das denúncias feitas à Editora Abril e a “vista grossa” por parte da mídia corporativa sobre as manifestações realizadas em diversas partes do Brasil, com a intenção de lutar por uma maior democratização da comunicação.

Pois bem, vejamos, somos receptores de informações transmitidas em meio a uma guerra na busca da liderança de audiência, poder e dinheiro. Somos receptores de meios de comunicação que deveriam investigar os três poderes (executivo, legislativo e judiciário), sendo teoricamente o quarto poder. No entanto, em vez de participar desse processo democrático, os detentores da comunicação usam e abusam do seu poder de informar, influenciando decisões importantes e agindo de acordo com os interesses das empresas privadas que, atualmente, detêm o poder do conglomerado da comunicação.


Perdeu-se a noção de qual é o verdadeiro papel da comunicação e, sobretudo do jornalismo. A função de informar e formar uma sociedade esclarecida e questionadora foram substituídas pela lógica do lucro e de interesses específicos. E nós como receptores desses meios de comunicação somos utilizados como peças para alimentar e aumentar a máquina de lucro dos oligopólios da comunicação.



Saiba mais sobre a "Campanha por democracia e transparência nas concessões de rádio e TV" e sobre os oligopólios da comunicação.
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/democracia-e-transparencia-nas-concessoes-de-radio-e-tv

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/um-bem-publico-a-servico-de-interesses-privados


Veja uma das matérias que fala a respeito da abertura da Record News e dos ataques de Edir Macedo à rede Globo.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u332083.shtml



segunda-feira, 8 de outubro de 2007

O esporte emociona porque surpreende

Por Romero Cruz,


Nesse final de semana aconteceram dois exemplos claros que a lógica nem sempre está presente no esporte.
No sábado, o Brasil foi dormir esperando acordar no domingo com o inglês Lewis Hamilton já como campeão da temporada 2007 de fórmula 1, mas não foi isso que aconteceu no Grande Prêmio da China. Hamilton abusou da sorte e de maneira irresponsável abandonou a corrida, dando a vitória ao finlandês Kimi Raikkonen da Mclaren e, para piorar sua situação, o espanhol Fernando Alonso chegou na segunda colocação.

A classificação agora tem Hamilton com 107 pontos, Alonso com 103 e Raikkonen com 100. Com este resultado, toda emoção da decisão fica para o Grande Prêmio do Brasil no próximo dia 21 de outubro, quando os três têm chances de se consagrar campeão da temporada.

Pelo campeonato brasileiro, São Paulo e Corinthians se enfrentaram no Morumbi. Os times vivem realidades diferentes, o São Paulo é lider do campeonato com 12 pontos à frente do segundo colocado, é o time que mais vitórias acumulou (19) e com a defesa menos vazada, que tomou apenas 10 gols. Já o Corinthians, está na zona de rebaixamento, só tinha vencido 8 jogos, tem uma das defesas mais vazadas e não vencia há cinco jogos.

Para os Corintianos parecia uma tragédia anunciada, durante a semana ouviram as gozações dos são paulinos, que seria um massacre, a torcida do São Paulo compareceu em massa ao Morumbi. A lógica era mais uma derrota corintiana, afundando o time de vez rumo à segunda divisão. Mas o resultado foi a vitória corintiana por 1 a 0 com gol de Betão, depois de 4 anos sem vencer o São Paulo.

Diz a sabedoria popular, que a corrida acaba com a bandeirada de chegada e que dentro de campo são onze contra onze. Portanto, se você faz suas apostas baseado na lógica do esporte, talvez você seja surpreendido.

sábado, 6 de outubro de 2007

Ela Foi. Mas ela ficou.

Por Fernanda Baptista.

Posso acreditar que isso aconteça em diversos lugares, vezes por hora. Nos últimos meses diversos casos tem tido destaque nos meios de comunicação. No domingo passado (30), aconteceu e a mídia noticiou.

Um bebê jogado no rio. Recém nascido, inocente, sem saber nem o que era água, quanto mais de rio, córrego ou algo semelhante. O Brasil acompanhou a cada dia notícias sobre o estado da menina que foi jogada fora, pela própria mãe.

Enquanto psicólogos tentavam entender o comportamento da mãe, naturalmente provindo de alguma espécie de imaturidade, médicos da UTI neonatal tentaram salvar a menina que sofreu convulsões e respirou com ajuda de aparelhos.

Na noite da última quinta-feira (4) a menina morreu. Foi batizada pela equipe médica com o nome de Michele. Michele se foi. Se tivesse sobrevivido poderia ficar sob a guarda do pai. Que segundo ele, não soube da gravidez durante todo o período da gestação.

Tem sido sempre assim, o pai nunca sabe. A mãe consegue esconder. Mas o bebê não tem como opinar. Lastimável. Aproveitam-se do ato sexual, mas não querem arcar com a conseqüência. É assim: “Aconteceu (...) mas eu não quero”.A mãe, genitora, principal responsável pela saúde do bebê, chega a arriscar sua vida até com veneno de rato na tentativa de abortar. Tentativa sem sucesso? Joga fora.

Este não foi o primeiro, único, nem último caso. Será que pode ser evitado? As pessoas se atraem (desde os adolescentes até os adulto) mas não se previnem. Não sabem o querem por fim, mas querem chegar lá. Querem chegar a algum lugar.

A polícia autuou a mãe deste caso em evidência. Ela ficou. Elisabete ficou. E ficou presa. Ficou com a consciência, porque diferente do bebê ela não é inocente. De quem é a culpa? Do governo? Da família? Do indivíduo? Do parceiro? Do subconsciente?

Muitos casos ocorrem mas não chegam ao nosso conhecimento. As vezes está ao nosso lado, mas nos omitimos. A justiça neste caso deu início a um longo processo. Não sabemos qual será o desfecho, muito menos a solução do problema que vai além da esfera política e social.

Carta pela não-violência ou "por que justo comigo?"

Por Telma De Luca


Esta semana o apresentador Luciano Huck escreveu uma "carta-desabafo" no jornal "Folha de São Paulo". A carta de um cidadão indignado por ter sofrido um assalto em São Paulo, ameaçado com uma arma, correndo o risco de não ver os filhos crescerem. Até aí, ok. Nada mau que uma pessoa pública use de seu fácil acesso aos meios de comunicação para ajudar a expor as mazelas da sociedade, certo ?!

Sim, se a carta não tivesse um triste tom de "estava tudo bem, até que aconteceu comigo", escrita por um cidadão que paga seus impostos (pois bem, posso imaginar que grande parte dos brasileiros também o faça, a não ser os que não têm renda suficiente para serem declarantes, ou vamos sempre nivelar a população por baixo?) e tem filhos (mas... seria ele o único pai de família ameaçado nas cidades brasileiras?).

O que poderia ser uma expressão de indignação verdadeira tornou-se qualquer coisa, menos isso. Até propaganda do filme "Tropa de Elite" existe no texto, além de clichês ("E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa") , frases pobres e piegas ("Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá"). Mais pareceu um desabafo feito no consultório de um analista, não um clamor por segurança para chegar às autoridades.

Enfim, mais uma vez perde-se uma boa oportunidade de tornar a discussão sobre a violência algo sério e aprofundado, com soluções práticas e realizáveis. Continuamos no "ó, por-que-o-Brasil-país-de-tão-belas-paisagens-é-tão-violento?", sentamos a bunda na cadeira e esperamos a próxima "triste notícia" no Datena.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Fidelidade partidária

Por Patrícia Aguiar

Nesta quinta-feira ( 04/10) o STF ( Superior Tribunal Federal ) decidiu que os mandatos de deputados pertecem aos seus partidos. Esta decisão, no entanto, só é válida a partir de 27 de março deste ano.

O resultado cabal deste desfecho é que dos 46 deputados que trocaram de partido desde outubro de 2006, 23 foram citados e somente a deputada Jusmari de Oliveira (BA) corre o risco de perder o cargo.

Uma velha retórica martela meus sentidos quando penso no tema fidelidade partidária. Arroubo de consciência de certo não teremos nestes tortos dias, como aliás, há muito não vemos. Mas, participar de um partido político teria a ver com buscar concordância de idéias, de posições sobre questões públicas, defender ideais semelhantes, entre outras definições mais poéticas e não menos morais.

No entanto, temos o nosso judiciário, não poupado de fazer parte da algazarra pública vigente no Congresso Nacional, tratando de tema tão óbvio e decidindo o que já quimera estabelecido.

Ora, não deveria o eleito, através de uma eleição democrática, permanecer onde o cidadão com seu voto o destinou? Hipoteticamente suas propostas e perfil político estariam demarcados naquele momento no qual se apresentou como candidato e pelo partido que escolheu para ser representado.

Pena, estarmos caminhando em marcha tão lenta neste ideário de nação democrática.
Bom, que estamos ainda trilhando este caminho, pois se acreditarmos, teremos a chance de fazer mudanças.

Se ao menos a D. Jusmari de Oliveira for punida e a decisão do STF for cumprida e respeitada, nós tenhamos caminhado um espaço, em alguma boa direção.