quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Elaine Brum, uma inspiração!

Por Patrícia Aguiar

Entre os dias 15 e 18 deste novembro de 2007, aconteceu no Memorial da América Latina o I SALÃO NACIONAL DO JORNALISTA ESCRITOR, com convidados especialíssimos participando de palestras, debates, entrevistas e mesas de autógrafos. ( como já escreveu minha colega Telma, em postagem anterior ).
Em particular posso narrar os acontecimentos do dia 18 de novembro, quando ocorreu a finalização do evento e dia em que estive presente.

Na roda de debates, eram convidados os jornalistas, Caco Barcellos, Elaine Brum e Domingos Meirelles e intermediando a mesa estava, Florestan Fernandes Júnior. ( Antes, abrindo o dia, estiveram presentes Juca Kfouri e Moacyr Scliar, presenças que infelizmente, não consegui apreciar ).

Destes três competentes jornalistas, o que mais me comoveu e de certa forma inspirou, foi Elaine Brum. Com um discurso firme e incisivo, ela não deixou margem a dúvidas a respeito de sua convicção sobre o trabalho e postura do jornalista. Enfatizou que talvez a preguiça seja o maior mal dos profissionais atuantes no mercado. Falou que era necessário compromisso com a verdade factual. Defendeu com ardor que o laboro necessário a realização de uma reportagem de fundamento e valor, parte de uma apuração rigorosa, da busca do confronto de dados, da maior aquisição possível de relatos reais do acontecimento tratado. Falou da dificuldade que é ser um jornalista ético, em uma máquina jornalística que é, sobretudo, empresa de capital e como capital, visa lucro e portanto, muitas vezes, não tem interesse em “determinadas” histórias. Vislumbrou como solução para a continuidade da boa reportagem, o livro reportagem, além dos blogs e a luta diária por um espaço nas redações, sejam quais forem às empresas em que estiverem inseridas. Enfatizou que uma reportagem bem executada, em todas as suas etapas, terá sempre lugar se acompanhada de uma defesa fervorosa.
Elaine Brum é dessas pessoas que ao falar/escrever, convencem, ou no mínimo, empolgam, quem a escuta ou lê.

Domingos Meireles e Caco Barcelos, muito competentes, fizeram eco a fala de Elaine e ainda nos brindaram com a narrativa de situações pitorescas ou difíceis que atravessaram para construir suas carreiras e as aventuras e riscos com as quais se depararam em busca das reportagens de suas vidas.

Sou uma admiradora entusiasta de Mino Carta e apesar de não concordar em 100% com tudo que diz, não posso resistir a este veterano na guerra que é fazer jornalismo crítico e consciente em nosso país. O charme que a experiência e a sua simples presença transmite, é algo que talvez atrapalhe um julgamento.

Mino Carta foi o entrevistado da noite. Respondeu a todas as questões sem titubear e sem medo de exprimir sua visão do mundo e suas instituições. Rechaçou os Civita, criticou a mídia nacional, falou de política e economia.
Falou também das convicções fundamentais de um jornalista: procurar categoricamente e fielmente a verdade factual, vigiar incansavelmente o poder ( em qualquer instância ), conhecer e amar sua língua natal.
Por fim, foram grandes lições que certamente mereciam espaço para serem difundidas.
E, posso com convicção afirmar, que a empolgação e inspiração, ganhas neste dia, irão seguir-me daqui por diante.

Nenhum comentário: