sábado, 6 de outubro de 2007

Ela Foi. Mas ela ficou.

Por Fernanda Baptista.

Posso acreditar que isso aconteça em diversos lugares, vezes por hora. Nos últimos meses diversos casos tem tido destaque nos meios de comunicação. No domingo passado (30), aconteceu e a mídia noticiou.

Um bebê jogado no rio. Recém nascido, inocente, sem saber nem o que era água, quanto mais de rio, córrego ou algo semelhante. O Brasil acompanhou a cada dia notícias sobre o estado da menina que foi jogada fora, pela própria mãe.

Enquanto psicólogos tentavam entender o comportamento da mãe, naturalmente provindo de alguma espécie de imaturidade, médicos da UTI neonatal tentaram salvar a menina que sofreu convulsões e respirou com ajuda de aparelhos.

Na noite da última quinta-feira (4) a menina morreu. Foi batizada pela equipe médica com o nome de Michele. Michele se foi. Se tivesse sobrevivido poderia ficar sob a guarda do pai. Que segundo ele, não soube da gravidez durante todo o período da gestação.

Tem sido sempre assim, o pai nunca sabe. A mãe consegue esconder. Mas o bebê não tem como opinar. Lastimável. Aproveitam-se do ato sexual, mas não querem arcar com a conseqüência. É assim: “Aconteceu (...) mas eu não quero”.A mãe, genitora, principal responsável pela saúde do bebê, chega a arriscar sua vida até com veneno de rato na tentativa de abortar. Tentativa sem sucesso? Joga fora.

Este não foi o primeiro, único, nem último caso. Será que pode ser evitado? As pessoas se atraem (desde os adolescentes até os adulto) mas não se previnem. Não sabem o querem por fim, mas querem chegar lá. Querem chegar a algum lugar.

A polícia autuou a mãe deste caso em evidência. Ela ficou. Elisabete ficou. E ficou presa. Ficou com a consciência, porque diferente do bebê ela não é inocente. De quem é a culpa? Do governo? Da família? Do indivíduo? Do parceiro? Do subconsciente?

Muitos casos ocorrem mas não chegam ao nosso conhecimento. As vezes está ao nosso lado, mas nos omitimos. A justiça neste caso deu início a um longo processo. Não sabemos qual será o desfecho, muito menos a solução do problema que vai além da esfera política e social.

Um comentário:

Anônimo disse...

Pois bem Fernanda, casos como esse são veiculados todos os dias, o que mais me chamou atenção, foi que os últimos casos noticiados foram no Estado de Minas Gerais, principalmente na sua área de expansão periférica. Claro que o poder público tem sua parcela de culpa, no sentido que não faz como se devem fazer as ações necessárias para a prevenção desses casos, que a meu ver, passa pela estruturação dos serviços básicos essenciais, tais como educação e saúde.
Não nos esqueçamos que além desses fatores, cada pessoa tem livre-arbítrio, ou seja, são responsáveis pelas suas ações, sejam elas boas ou ruins. Assim sendo, os pais são responsáveis pelo trágico fim de Michele, que entre outras palavras, aumentou essa triste estatística. Alberto Cavalcante – Teresina(PI).