Por Romero Cruz
Na quarta-feira da semana passada, a Petrobrás interrompeu parcialmente o fornecimento de gás para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, mas teve que normalizar o abastecimento após decisão da justiça do Rio. Especialistas afirmam que a redução do fornecimento de gás no Rio e em São Paulo é a "crônica de uma crise anunciada".
A indústria nacional depende do gás que vem da Bolívia como gerador de energia para a sua produção, usado também nas termoelétricas, pois nossas hidroelétricas não dão conta de atender a demanda, além do comércio, residências e nossos carros com GNV (cujo uso é incentivado pelo governo).
Nos anos 90 o Brasil fechou acordo com o governo boliviano para exportação do gás, investindo na construção de refinarias e inaugurando em 1998 o gasoduto Brasil-Boívia, com o investimento total de 8 bilhões de dólares. Em maio do ano passado o Presidente boliviano Evo Morales decide nacionalizar toda a produção de hidrocarbonetos, “invadindo” as refinarias da Petrobrás Bolívia com militares, causando um constrangimento mundial ao governo brasileiro. Só em maio desse ano o governo boliviano paga US$ 112 milhões de dólares de indenização ao governo brasileiro, que queria 160 milhões. Depois disso a Bolívia ainda cortou a exportação em 20% e aumentou o preço do gás.
O governo brasileiro poderia ter agido com “pulso firme”, exigindo o cumprimento dos contratos por parte do governo boliviano junto a OMC (Organização Mundial do Comércio), mas o que vimos foi o Presidente Lula defendendo a atitude do seu “camarada” boliviano. O Brasil continuou importando o gás boliviano, já que não tinha alternativa em curto prazo. Houve crescimento industrial, conseqüente aumento do consumo e nenhum investimento (lógico) da Petrobrás na Bolívia. Agora, nosso presidente tem que ir à Bolívia atender às chantagens do seu “camarada” boliviano, que exige investimento brasileiro em seu país.
O medo de um apagão (como em 2001) afasta os investimentos de longo prazo. Segundo Hélder Queiroz, professor da UFRJ, afirma que na prática existe, um "racionamento branco" de gás. "Se um grande projeto industrial precisasse de gás no Sul, a distribuidora não teria como atendê-lo. Qualquer demanda adicional já enfrentava restrição de oferta. Não tem plano nem prioridade e muito menos uma sinalização clara da demanda", disse. http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u341715.shtml
A falta de planejamento do setor energético é clara. Quais são os investimentos em fontes alternativas de energia? Como por exemplo, energia solar e eólica, que tem baixo custo e são puras, sem causar danos ambientais.
Nesta segunda-feira, nosso presidente afirmou que está fazendo "o que precisa ser feito”. Primeiro ele não disse o que está fazendo e segundo é o que se espera do presidente, que se faça algo com inteligência. Pois não tenho tanta fé pra fazer chover, nem paciência para ouvir demagogia. A culpa está sempre no passado.
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Um comentário:
Romero,
Pude perceber o tom da crítica já no título.
Parabéns!!
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