quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
Feliz Natal
Em 2009 voltaremos a postar.
Abraço
terça-feira, 15 de julho de 2008
A justiça que não se entende
Nos últimos tempos a opinião pública vem se indignando com as decisões da justiça de mandar soltar acusados de crimes. É freqüente ouvir a frase “a polícia prende e a justiça manda soltar”. O exagero de liminares e habeas corpus por parte da justiça abre espaço para um questionamento: Ou a polícia investiga mal e prende mal ou a justiça não se entende e não cumpre a lei.
Os crimes cada vez mais bárbaros e chocantes, com imagens capturadas por câmeras deixam a todos estupefatos. Nunca tivemos tantas operações da polícia federal, só para lembrar algumas: Operação Afrodite, anaconda, hurricane, pandora, placebo, jaleco branco, sanguessuga e vampiro, desmantelando verdadeiras organizações criminosas.
Na semana passada, a polícia federal depois de quatro anos de investigações desencadeou a operação Satiagraha e pediu a justiça a prisão do banqueiro Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas, do ex-prefeito Celso Pitta e de outros 14 acusados de integrarem suposto esquema de desvio de recursos públicos, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Vimos um festival de prende e solta, prende e solta, gerando uma crise no judiciário entre seus magistrados.
A impressão que se tem é que recursos tecnológicos como gravações e grampos, que ajuda muito as investigações não estão sendo considerados provas, ou seja, todos ouvimos diálogos cabeludos, vemos imagens de montanhas de dinheiro destinado a crimes e temos que fingir que somos cegos e surdos, e ainda nos querem mudos.
E não é só “graúdos” que não permanecem presos, nesta segunda-feira, a justiça do Rio mandou soltar o policial militar Marcos Parreira do Carmo, que matou com um tiro o estudante Daniel Duque Pittman de 18 anos, o policial estava fazendo um “bico” de segurança (o que a lei proibe) para o filho da promotora de Justiça Márcia Velasco. O detalhe é que O Tribunal de Justiça ainda não informou os motivos pelo qual o policial teve a liberdade concedida. Será que o policial não é capaz de imaginar que se ele atira em alguém esse disparo pode matar? Ou a vida do próximo não tem nenhum valor ou ele acredita que não será punido?
Espero que casos como esse não continuem a acontecer, pois muitos hoje só acreditam na justiça de Deus, espero que não cheguem a acreditar só na justiça das próprias mãos. O símbolo da justiça com olhos vedados e uma balança significa uma justiça imparcial e justa. Chega de advogados espertalhões que usam de brechas da lei para praticarem injustiças. Todos queremos ainda confiar na justiça.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Quando a moralização vai começar?
Quando somos crianças e fazemos algo errado somos repreendidos pelos nossos pais e na tentativa de uma melhor educação recebemos pequenos “castigos”, às vezes até tentamos argumentar, mas é importante o castigo como corretivo para reconhecermos o nosso erro para que não mais se repita.
Quando crescermos, aprendemos a viver em uma sociedade que tem regras e que se não cumpri-las de alguma forma seremos excluídos e punidos. Esse sistema está presente em varias sociedades e essas regras são influenciadas por características culturais e históricas de cada sociedade. Uma das regras mais antiga é o código de Hamurabi: Olho por olho dente por dente.
Os códigos são importantes dentro de uma sociedade e em um estado democrático temos as três esferas: Legislativo (que criam as leis), judiciário (que julga se as leis não estão sendo cumpridas) e o executivo (que deve fazer cumprir as leis). Teoricamente parece até simples a fórmula, mas quando essas esferas estão “adoecidas” pelo câncer da corrupção as coisas se complicam e muito.
No Brasil temos um congresso desacreditado pela população, os “senhores” que criam as leis e deveriam representar os interesses da população, acabam legislando em causa própria (aumentam seus próprios salários, contratam quem bem entendem...) e pasmem! Alguns são acusados de crimes (corrupção, tentativa de homicídios, sonegação de impostos...) quando deveriam ser exemplos do cumprimento das leis, e o pior é que ainda tem imunidade para responder por seus crimes.
O câncer da corrupção também chegou ao judiciário, onde temos denúncias de juízes envolvidos com verdadeiras quadrilhas criminosas acusados de vender sentenças judiciais favoráveis a criminosos e liberar das grades perigosos bandidos, desvios de verbas públicas entre outros crimes. Claro que não estou generalizando e temos excelentes magistrados que se preocupam com toda essa mancha no judiciário.
Quanto ao executivo, que administra toda a receita arrecadada dos impostos e que deveria trabalhar por uma vida melhor e mais justa da população, nunca antes na história desse país teve tanta denúncia de corrupção com o dinheiro público. Os resultados em obras para a população em saúde, segurança, infra-estrutura e etc. É lastimável e a reputação dos nossos políticos perante a opinião pública é a pior possível.
Para que essa situação comece a mudar a fórmula é a punição para os corruptos, rigidez e cumprimento das leis e a moralização de todas as esferas públicas. A sensação de impunidade é grande para aqueles que cometem crimes, principalmente se tem prestígio, status, poder político ou muito dinheiro. A farra dos habeas corpus (o direito de, ainda que preso por "justa causa", de responder o processo em liberdade) precisa acabar, até habeas corpus preventivo existe. Na democrácia a imprensa cumpre seu papel quando de maneira responsável denúncia irregularidades e exige apuração, mas também a população precisa se articular para exigir a moralização dos poderes públicos usando as ferramentas que a democracia permite.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
Para entender a lei
Muito se discute a notícia do momento, inclusive aqui no blog. Se me permitem vou retomar esse assunto e não apenas comentar o texto anterior da Tatiana Melim. Primeiramente, é preciso entender que certas leis surgem na tentativa de corrigir situações abusivas e inadmissíveis pela sociedade, que agride a “lei natural de convivência” de um povo, formada por uma cultura moral e histórica. Segundo, muitas “notícias” sobre a “lei seca” ou “tolerância zero” estão distorcidas seguindo opiniões de vários interesses.
Eu tive a oportunidade de morar por um tempo no estado de New Jersey nos Estados Unidos, lá há uma rígida lei no controle do consumo de álcool, e pude constatar os benefícios que esse controle trás para aquela sociedade. Baseado nessa experiência que escrevo sobre esse assunto.
A lei brasileira torna ilegal dirigir com concentração a partir de 2 dg (decigramas) de álcool por litro de sangue. A punição para quem descumprir a lei pode ser a suspensão da carteira de habilitação por um ano, além de multa de R$ 955 e retenção do veículo. Entendemos então que ninguém está sendo proibido de beber (“lei seca”), mas sim de dirigir embriagado, o resultado de álcool e direção todos já sabem.
Quando o estado “concede” uma carteira de habilitação ao cidadão, acredita que este cidadão “tem” plenas condições de conduzir o automóvel, moto, ônibus... Em segurança para todos. Devido a estatísticas e laudos concluímos que a união de direção e álcool não é boa para a segurança de ninguém. Quem duvida, que possa ouvir familiares de vítimas da violência do trânsito.
O ser humano tem uma tendência a resistir à mudança de comportamento, mesmo que essa mudança traga benefícios em longo prazo, preferem manter a sua “liberdade” esquecendo do mal que possa causar a si, e a terceiros. Os principais críticos da lei são donos de estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas e que tem entre seus principais clientes motoristas irresponsáveis e inconsegüentes.
Ouvimos muitas coisas boas dos países do “primeiro mundo”, uma delas são suas leis rígidas e cumprimento destas. Quem sabe poderíamos começar a imitar os bons exemplos de lá. É preciso parar e refletir entre uma punição antes de uma tragédia ou uma impunidade depois. Eu já fiz minha escolha.
terça-feira, 24 de junho de 2008
A lei da "Tolerância Zero"
A lei “Tolerância Zero”, que prevê multa, apreensão do veículo, perda da carteira e até prisão do motorista que apresentar até 2 decigramas de álcool no sangue (o equivalente a menos de um copo de chopp), foi aprovada na última sexta-feira (21/06).
Segundo reportagem da Folha On-line, após 3 dias de sancionada a lei, cerca de 42 pessoas foram presas em todo o país. Assim, a discussão a cerca do assunto começou a “estourar”.
Pois bem, todos concordam que alguma medida precisa ser tomada para diminuir os acidentes no trânsito. Mas, acreditar que ninguém mais vai beber e dirigir é ilusão. Não bastam leis que contribuem com mais arrecadação para a esfera pública, é necessário soluções mais trabalhosas como educação e conscientização que, claro, são mais caras do que aprovar uma lei.
Inclusive, seria perfeito se todas as leis fossem feitas para o benefício da sociedade e não em benefício daqueles que confundem o público com o privado e usam as leis para interesses próprios. Dessa forma, infelizmente, acabamos vivendo a “lei” do mais forte e ficamos com a sensação da injustiça e da impunidade.
Diversas vezes pensei: a lei me atinge e atinge aquele cara também que está sendo esculachado pela polícia, e este, por sua vez, tem a lei a seu favor. Não quero generalizar, pois claro que cada caso é um caso. Mas, acredito que muitos já passaram por essa sensação: injustiça e impunidade.
Então, basta analisarmos esse caso, tentarmos interpretar e entender o que é preciso ser feito. Precisamos enxergar além do lide* das matérias jornalísticas. Inclusive, é a intenção deste blog, tentar fazer algumas breves leituras sobre os fatos e abrir para a discussão democrática. Assim, nos perguntamos: uma lei irá resolver a questão?
*Lide: estrutura robotizada e ensinada nas escolas de jornalismo como padrão para apresentação de uma notícia. O lide corresponde às respostas que encontramos no primeiro parágrafo de uma matéria, no qual contém as respostas: O que? Como? Quando? Onde? Por quê? Quem?
quinta-feira, 22 de maio de 2008
Preservar a memória
É impressioante pensar como se vivia, sob o jugo de um poder violento e de voz unilateral. Aos que tentavam reagir, prisões, torturas, deportações, morte. Um período sombrio e que pode ser sentido assim que entramos no prédio. As celas propriamente ditas ficavam em um "anexo", separadas do local onde as torturas eram levadas a cabo.É um lugar pequeno, mas nesses poucos metros a sensação de incômodo é grande, mesmo sendo um ambiente arejado e iluminado, provavelmente muito diferente do que era na época. As paredes foram encobertas com tinta cinza, não se pode mais ver o que os presos escreveram em seus momentos de desespero e solidão. Muitos documentos se perderam, pude ler em um jornal que estava à disposição que boa parte foi entregue ao público alguns anos depois da extinção do DOPS.
Nomes importantes do cenário político, cultural e religioso passaram por lá: Luis Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin, Raul Cortez, Ulisses Guimarães, Monteiro Lobato,D. Paulo Evaristo Arns. Há o nome deles registrado e acesso ao número do seu prontuário disponível no Arquivo Estadual. O espaço agora chama-se "Memorial da Resistência", nome que veio, a pedido dos ex-presos políticos, a substituir o poético e pouco apropriado "Memorial da Liberdade" .
É importante que ese local seja mantido, que a memória deste período importante da história recente do País seja preservada e que se busque entender os mecanismos através dos quais foi possível manter uma situação como aquela por mais de 20 anos.
Conheçam, vale a pena. Além do Memorial, há a exposição permanente " Direito à Memória e à Liberdade - a Ditadura no Brasil 1964-1985" e também exposições de arte temporárias. O endereço é Largo General Osório, no bairro da Luz. Funciona de terça a domingo, das 10 às 17:30 e a entrada é franca.
domingo, 18 de maio de 2008
Um breve texto, uma singela homenagem
Tinha dez anos quando li "Anarquistas Graças a Deus". Não sei bem o porquê, mas foi um livro que me tocou e marcou profundamente. Eu podia ver cada lugar descrito. As ruas antigas do centro, o bonde, as propagandas da época, programas de rádio, revistas. Talvez um pouco das memórias de minha família, também de descendência italiana e também de São Paulo, estivessem misturadas ali naquele texto.
Talvez eu reconhecesse minha avó naquelas palavras, a juventude de minha mãe.
A cada página, mais curiosidade e aos poucos o retrato daquela época tão distante ia se formando na minha cabeça de criança. As viagens para Santos, os carros, as roupas, eu poderia até mesmo sentir os cheiros daquela cidade, ainda distante de ser a metrópole de hoje.
Reli esse livro mais duas vezes e ele me tocou da mesma maneira.
Explicar? Não sei. Não sei se um catedrático daria a ele o título de excelência e nem me importa, uso esse espaço para prestar minha singela homenagem a Zélia Gattai, autora do meu primeiro livro "adulto".
domingo, 20 de abril de 2008
Berlusconi e a "esenzione del giornalismo"
É com uma certa preocupação que vejo a ascensão da direita na Itália. Berlusconi , o homem mais rico do país,volta ao poder dois anos depois, assumindo um país em crise. O que chama a atenção é o fato de ele ser dono de um império das telecomunicações, o Mediaset, que tem, entre outros negócios, canais de TV (Canale 5, Italia 1 e Rete 4, na Itália e Telecinco, na Espanha), cujos concorrentes são a estatal (mas ele não é o primeiro-ministro agora?) RAI e o LA7.
Há alguns anos que se discute o futuro da imparcialidade da imprensa diante da inclusão de empresas de comunciação em grandes conglomerados formados pelos mais diversos tipos de negócios. A empresa de comunicação apenas como mais um braço, mais um gerador de lucro. Até onde vai a postura isenta de uma empresa para falar da empresa da qual faz parte ? Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique sempre traz essa discussão à tona, como eu mesma pude conferir ao assistir uma palestra sua em São Paulo. Segundo ele, a formação de conglomerados de comunicação prejudica a base do bom jornalismo, a isenção, a imparcialidade com as quais a imprensa deve sempre trabalhar, para que chegue às mãos dos leitores a notícia mais próxima possível do fato em si. Uso aqui a expressão "mais próxima possível" porque sempre que alguém escreve um texto, estão ali, nas entrelinhas e verbos utilizados todo um histórico de vida, um repertório que permeia aquele texto, assim como a angulação de uma foto pode levar determinada perspectiva a quem a vê. Ainda assim, o caminho ético do bom jornalismo é ater-se aos fatos, ouvir fontes, checar, fazer chegar ao leitor denúncias sérias de interesse público, casos de corrupção em empresas, desfalques, roubos, assim como resultados positvos, conquistas, atitudes socialmente responsáveis.
O que eu questiono é: quando se misturam o poder econômico, o poder executivo e o poder da mídia, o que pode acontecer ? Não vejo com bons olhos e me amedronta pensar que assuntos graves de interesse nacional podem ser simplesmente abafados em nome do bom funcionamento da "macchina". Pior, podem ser divulgados em nome de uma "pseudo-transparência", para depois serem abafados com um "Io non lo so".
P.S: Para saber mais sobre o tamanho do grupo Mediaset, visite a página deles: http://www.mediaset.it
sexta-feira, 18 de abril de 2008
A verdade que incomoda
Esse assunto que abordarei me faz lembrar uma cena do filme Tropa de Elite, onde oficiais se calam perante seus superiores, mesmo que suas considerações sejam plausíveis. Pois bem, na última quarta-feira, ao participar do seminário Brasil, Ameaças à sua Soberania, no Clube Militar, no Rio de Janeiro. O general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, disse que é "caótica" e "lamentável" a política indígena brasileira, alertou para a uma ameaça à soberania nacional a reserva indígena contínua de 1,7 milhão de hectares na região de fronteira.
Para entendermos melhor, os militares questionam a criação de reservas indígenas em áreas de fronteiras, alegando sua inconstitucionalidade, já que a Lei 6.634, de 2 de maio de 1979, sobre faixa de fronteiras estabelece em seu artigo 1 que “É considerada área indispensável à segurança nacional a faixa interna de 150 km de largura, paralela a linha divisória terrestre do território nacional, que será designada como faixa de fronteira”. O artigo 2 estabelece que o conselho nacional de segurança deve ser consultado quando o artigo 1 for desrespeitado e estudos diriam se haveriam problemas para a segurança nacional.
O estado de Roraima tem 224.298,98 km², juntando todas as suas reservas indígenas somam o total de 46% de seu território (http://www.rr.gov.br/roraima.php?area=dados). Só a reserva Yanomami tem 96.650 km² (parte deles no Estado do Amazonas), fazendo fronteira com a Venezuela do “El Loco” Chávez. Atualmente na América latina essa é a região mais conflituosa pela fronteira com Venezuela, Colômbia e a presença de guerrilheiros, traficantes, fazendeiros, garimpeiros e índios, contando vários interesses em jogo. Em seu discurso o general se referia à criação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, extremo norte de Roraima.
Concordo sim que os índios tenham direito a sua reserva, afinal foram os primeiros habitantes daquela terra, mas hoje temos constituído um território nacional e todos que habitam nele são regidos pela mesma lei. O currículo e a experiência do general Augusto Heleno devem ser considerados nesse assunto, ele conhece bem a região e seus problemas, diz o que muitos especialistas afirmam, mesmo que alguns “companheiros” superiores o queiram calado.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Quando a democracia funciona
Para nós, que acreditamos estarmos vivendo numa democracia é com louvor que recebemos a notícia da renúncia do reitor da UnB (Universidade de Brasília) Timothy Mulholland. Acusado de ter usado recursos da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos), o ex-reitor da UnB utilizou cerca de R$ 470 mil da Finatec na compra de móveis de luxo para seu apartamento funcional, dinheiro esse que deveria ir para pesquisas tecnológicas.
Esse caso de irregularidade não teria tido esse fim se não fosse o papel da imprensa, exercendo sua liberdade e principalmente dos estudantes da universidade reivindicando seus direitos. Esse acontecimento nos recorda a outro momento da nossa história quando estudantes pintavam a cara e pedia a saída do presidente acusado de corrupção.
Esse episódio da UnB bem que poderia levar a nossa classe estudantil universitária a uma reflexão do poder de mobilização que ela tem, já que a geração dos caras pintadas parece distante e coisa do passado. Que a atitude dos estudantes de Brasília não fique restrita só a um interesse imediato e local, mas que seja exemplo de mais uma ferramenta para equilibrar a nossa democracia. Denúncias de irregularidades e corrupção não faltam nesse Brasil “de meu Deus” para mais protestos.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
O Jornalismo do Espetáculo
Nesses últimos dias acredito que todos puderam acompanhar a cobertura que está sendo feita pela imprensa do caso da garota Isabella, de 5 anos, que foi encontrada caída no jardim do prédio em que o seu pai, Alexandre Nardoni, morava com sua esposa, Ana Carolina Jatobá. A menina foi levada ao pronto-socorro, porém não resistiu e morreu.
Pois bem. Indubitavelmente é um fato noticioso que precisa ser divulgado ao público. Realmente é um episódio que comove e deixa diversas pessoas indignadas. Entretanto, diversos casos como esse, que choca e provoca indignações, acontecem em todo o Brasil, porém não são divulgados.
O que o jornalismo está fazendo é: transformar um caso comovente e a dor de diversos envolvidos em uma novela, num espetáculo em que no final descobre-se quem foi o grande vilão. Assim como as perguntas que surgem e dão audiência às novelas como: Quem matou “fulano”?, estão sendo feitas em uma caso sério como esse: Quem será que matou a garota Isabella?
Parece-me que a “teoria do jornalismo” dessa grande imprensa é noticiar tragédias, fazer de um caso sério um espetáculo para a massa, sem contar nos casos de publicações de dossiês ou informações falsas ou mal apuradas. Os jornalistas acreditam que são os donos da verdade e que podem fazer o papel da polícia ou de órgãos governamentais. Esqueceram-se da importância do papel que deveriam exercer, das influências que suas atitudes têm para a formação da sociedade e da função social que é fazer jornalismo.
Substituiu-se a lógica da função jornalística e, hoje, esta foi sujeitada a ser mais uma mercadoria que pode gerar grandes lucros aos donos dos conglomerados da comunicação. As informações são trabalhadas de forma que a sociedade fique alienada, e assim, todos se sintam como se estivessem informados. No entanto, eles não percebem que as informações são as mesmas, obtidas das mesmas fontes ou agências, com o mesmo foco e com um texto muito semelhante iniciado pelas perguntas: O quê? Como? Quando? Onde? Por quê? e Quem?. A única diferença existente é que pertencem a veículos diferentes.
segunda-feira, 10 de março de 2008
Recepção digna!?
Todo o “alvoroço” criado a respeito das relações entre Brasil e Espanha se deu depois do aumento, nos últimos tempos, de brasileiros que são barrados e impedidos de entrar na Espanha ao chegarem no aeroporto.
Segundo o que o nosso ministro da Justiça afirmou em relação ao tratamento de brasileiros no exterior, acredito que todos estão de acordo. Muitos que já viajaram ou que tem algum conhecido que já viajou para fora do país possuem relatos ou exemplos de preconceito, restrições ou maltrato no exterior. Indiscutivelmente temos que “exigir” uma atitude mais coerente, menos abusiva e sem preconceitos ou “fobias” aos brasileiros que, por algum motivo, vão ao exterior.
Entretanto, não podemos esquecer que, apesar da considerada “recepção digna” a que o ministro Tarso Genro se refere, muitos estrangeiros ao desembarcarem no Brasil se deparam com uma situação de demora nos vôos, horas na fila de espera, aeroportos lotados, etc. – todas aquelas situações de crise aérea que todos conhecem bem. Dessa forma, ao conseguirem entrar no Brasil, só conseguem fazer a visita (ou outra finalidade) de carro (a maioria tem condições para isso), pois ninguém quer se sujeitar ao que milhões de brasileiros se sujeitam todos os dias: ônibus lotados, demora para conseguir condução, “enfrentar” o trânsito de pé, entre outras situações que diversos brasileiros têm de se sujeitar.
* Em relação à prostituição, imigração ilegal e turismo, acredito que o texto abaixo da minha colega Telma elucida bem sobre o assunto.
sexta-feira, 7 de março de 2008
Brasileño ? Fuera !
Nos últimos dias a imprensa brasileira tem repercurtido bastante a "expulsão" dos brasileiros na Espanha. A não-aceitação de vistos de estudantes mestrandos, professores. De acordo com o cônsul-geral do Brasil em Madrid, em reportagem da Folha Online, são cerca de dez brasileiros deportados todos os dias.
Não acho a generalização correta, mas estamos falando de um país onde o maior número de prostitutas é de brasileiras, onde muitos vão em busca do sonho de desbravar a Europa, sem as mínimas condições de sobrevivência. Há que ser rigoroso, sim. O que é bem diferente de ser preconceituoso, obviamente. A quem tenha condições de provar por que está lá, que tem como sobreviver, que sejam dadas as boas-vindas; aos outros, que sejam mesmo mandados de volta para seu país, seja Brasil, China ou Afeganistão.
Ao mesmo tempo, o Brasil começa a ser mais severo na avaliação dos estrangeiros que chegam ao País e eu pergunto: por que só agora ? Porque aqui temos a visão de que " é gringo, é bacana", sejam produtos, sejam pessoas. Parece que alguém falar que é estrangeiro, dá automaticamente o aval de boa pessoa, correta, trabalhadora. Hei ! Também existem pessoas fugindo da lei, traficando crianças e mesmo vindo buscar as tais prostitutas aqui, em nosso País. Na maioria das vezes utilizando de argumentos pouco convincentes, mas que as seduzem, seja por necessidade verdadeira, conveniência ou inocência.
A indústria do turismo é importantíssima, movimenta bilhões todos os anos e, infelizmente, ainda é mal explorada no Brasil. Colocar em prática de maneira rigorosa a Lei do Estranegiro é também uma maneira de fortalecer o turismo aqui, permitindo a entrada de quem consome , de quem tem interesse em conhecer a cultura e as belezas naturaias, não de quem vem atrás do país perdido da América do Sul, onde tudo é liberado e ninguém vê nada (opa, acho que eu já ouvi alguém falar isso...mas não me lembro bem quem foi...).
sábado, 1 de março de 2008
O bispo, os interesses e a liberdade
A Folha de São Paulo publicou uma reportagem da jornalista Elvira Lobato no dia 15 de dezembro sobre a fortuna acumulada da Igreja Universal do Reino de Deus. A reportagem mostra as empresas e seus donos que são ligados à igreja, como funcionam e o que acontece quando eles deixam de fazer parte da mesma. Jornais de circulação diária, agência de turismo, gráfica, táxi aéreo estão entre as empresas citadas na reportagem.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u355188.shtml
Até aí tudo bem, porém, surgiram ações pedindo indenizações por danos morais movidas por fiéis da igreja em diversas varas especiais do judiciário dos estados. O curioso é que alguns parágrafos dos processos chegam a ser iguais e como os pedidos são em estados diferentes dificulta a defesa. O juiz Edinaldo Muniz dos Santos, titular da comarca de Epitaciolândia, no Acre, disse que há um "assédio judicial", ou seja, "uma atuação judicial massificada e difusa da Igreja Universal contra o jornal".
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u370903.shtml
Às vezes fico a pensar que a IURD tem síndrome de perseguição, porque a imprensa não pode fazer nenhum tipo de reportagem ou notícia sobre a mesma, a não ser que passe uma imagem positiva. Vivemos um regime democrático, com liberdade de imprensa, liberdade religiosa e um estado laico. Atitudes como essa busca inibir a imprensa de cumprir com seu papel, que é de informar de maneira responsável e imparcial.
É extremamente normal que a IURD faça uso da Record para seus interesses, apesar de ser uma concessão pública, afinal eles são os donos. Os outros veículos fazem o mesmo na defesa de seus interesses. Lamento que nós, leitores, ouvintes e telespectadores somos vitimados por esse jogo de interesses, onde temos a informação que interessa a eles, não a que precisamos para o nosso conhecimento.
Programas jornalísticos com conteúdo propagandista da IURD na Record, confundindo o telespectador da informação, têm sido cada vez mais freqüentes. O triste é ver jornalistas sérios e com um histórico tendo que apresentar esses tipos de matérias. Em entrevista de Paulo Henrique Amorim á revista Ser Médico do CREMESP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) ele é bem claro quando não se Poe no ar o que é de interesse da empresa “rompe o contrato, paga a multa e manda embora: esse é o jogo”.
Quanto a nós, tenhamos o senso crítico para a difícil tarefa de separamos o que é notícia do que é interesse das grandes corporações da imprensa no nosso país. Resta a nós estudantes de jornalismo, viver a utopia de um jornalismo sério, responsável e imparcial. Esse é o ideal enquanto não temos “nosso rabo preso”. Viva a liberdade religiosa! Nada de invadir terreiros de umbanda e candomblé nem quebrar imagem de santos em igrejas. Viva a liberdade de imprensa! Nada de ações judiciais que ameace a informação verdadeira.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
Quando a ética, o caráter e a razão deixam de existir
O político corrupto pensa:
- Todo mundo rouba porque eu não posso? O sistema é assim, outra coisa, é pouquinho comparando com o que os outros roubam. Ninguém vai descobrir e mesmo que descubram não haverá punição, tenho muitos aliados.
O mau professor diz:
- Não ganho para agüentar esses alunos, eles fingem que estudam e eu finjo que ensino.
O oficce boy aprendendo cedo:
- Taxista eu sei que o valor da corrida foi de R$ 50,00, mas faz um recibo de R$ 70,00, por favor.
A mãe ensinando desde cedo:
- Quem é? Filha.
- É a vovó querendo falar com você.
- Diz que a mamãe não está.
O traficante se justificando:
- Aí mano! Apenas toco meu negócio, cigarro e álcool também fazem mal e todo mundo vende. E se vendo é porque os “bacanas” querem comprar.
O pequeno infrator em seu raciocínio:
- Roubo mesmo, sou fruto de uma injustiça social e se o “bacana” anda “nas marcas” eu também vou andar. Se a “casa cair” sou “di menor” e não “pega nada”.
O “bacana” diz:
- É um bando de vagabundos e bandidos, para eles eu quero dois destinos cadeia e cemitério.
O contraventor que falsifica e vende CDs e DVDs pensa:
- Estou desempregado não tenho “istudo” e preciso sustentar minha família, não estou fazendo nada de errado. E porque pagar imposto? Esse governo não faz nada e só rouba.
O racista em suas “idéias”:
- Que morram os, gays, negros e nordestinos!
O líder religioso radical e intolerante em seu sermão:
- Fomos os escolhidos por Deus para salvar a humanidade, você será salvo se crer no nosso Deus, participar da nossa religião e faça a sua contribuição como fidelidade a Deus. Em nenhum outro lugar encontrarás salvação.
Esses são alguns exemplos que não deveriam existir para que o mundo seja melhor e os seres humanos mais felizes.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
O carnaval dos cartões corporativos continua...
- Veja bem companheiro, você será um funcionário com cargo de confiança. E receberá um cartão de crédito corporativo.
- E como devo usar esse cartão?
- Veja, você só poderá usá-lo quando estiver prestando serviço ao governo. Ele foi criado para que tenhamos mais controle com os gastos públicos. Você terá um limite de gastos, se perceberem que você está abusando a coisa pode complicar.
- Então eu posso comprar o que eu quiser até o meu limite?
- Veja bem companheiro, não é bem assim, entende? O cartão é sigiloso, mas é melhor não abusar.
- Tapioca de R$ 8,30 não pode? Almoço de mil reais também não? Superfaturar diárias de hotel nem pensar? Explique-me melhor companheiro?
- Assim dar muito na cara, entende? E o que é da segurança presidencial não pode ser público, entende?
- Mas por quê? E a transparência? Sinceramente companheiro, não estou entendendo bem, nem funcionário de alto escalão eu sou.
- Mas você tem direito, pegue o seu e faça um bom proveito dele, mas não abusa companheiro.
- Tudo bem, eu aceito e tentarei ser ético no uso do meu cartão. Entendo que ele seja importante no controle dos gastos, desde que esse controle seja feito. Entendo também que o quanto mais transparente melhor, assim não haveria abusos no uso. Entendo que deveria ter uma maior fiscalização no uso dos cartões, que mecanismos sejam criados para fiscalizar os mais de 11 mil cartões distribuídos para os funcionários e para terminar que quando houvesse denúncia de uso indevido fosse apurado com veemência e transparência, para que o contribuinte que paga nossos cartões saibam ao menos em que está sendo gasto seu dinheiro. Porque nunca antes na história desse país tivemos tantas denúncias de corrupção. Você concorda companheiro?
- É companheiro, é companheiro...
Seu cartão é bem-vindo neste estabelecimento.
Nos últimos anos (menos anos aqui, há mais no exterior), o "dinheiro vivo" vem sendo substituído pelo "dinheiro de plástico". Mais comodidade, menos riscos, praticidade, etc, etc...são inúmeros os pontos a favor desse meio de pagamento. O que poderia ser melhor para dar aos funcionários "de confiança" do Governo do que um cartão ? Contas acompanhadas, gastos discriminados...
Mas aí...vem o governo mais consumista (ops...mas não era comunista?) dos últimos tempos e a farra do cartão reina (os defensores vão dizer: no governo FHC a farra já acontecia....mas, mesmo que já acontecesse, isso justifica alguma coisa ??????Eu erro porque o outro já errou ??).
A princípio, o objetivo era o de pagar despesas urgentes (e, obviamente, relacionadas ao exercício da função. Ou poderiam justificar dizendo "mas eu estava na urgência de beber um uisquínho 15 anos hoje...) sem que o funcionário público tivesse de passar por todo um processo burocrático para pagar um café a algum vistitante oficial. A idéia é ótima.
Agora, me digam: todo ser humano que use cartão de crédito e seja minimamente consciente, confere todas as suas despesas quando a fatura chega, certo ?! Tudo bem que às vezes nem tem o dinheiro para pagar o valor total, percebe que gastou mais do que deveria, promete nunca mais extrapolar, mas...confere. Além d que, os recursos para o pagamento são próprios. E no governo? Eu tenho lido bastante a respeito deste assunto e ainda não encontrei a explicação para o porquê desses gastos "abusivos" não terem sido registrados, denunciados e eliminados antes. Ué, não tem ninguém responsável pelo controle desses cartões ? Ninguém para checar onde o NOSSO dinheiro está sendo gasto ???
Respostas, por favor. Essa não é uma pergunta retórica.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Olha o Carnaval aí geente !! Mas...eu não gosto de Carnaval !
Aproxima-se o Carnaval. E com ele, parece que se aproximam toda a sorte de expectativas. Não sou antropóloga ou socióloga para analisar a fundo a que tipo de comoção esta festa leva as pessoas, mas aos meus olhos de leiga parece que todos esperam por uma espécie de "catarse".
Como se durante 4 ou 5 dias alguma revelação ou transformação irreversível pudesse acontecer na vida de cada um. Como se as esperanças recém-renovadas no Ano-Novo fossem todas refeitas, com a alma lavada, os pés descalços e o corpo suado anunciando que um novo tempo começa a partir de agora, mas... ainda é assim?
Eu admiro o carnaval de rua, a preservação da manifestação cultural é importantíssima. Mas o carnaval como acontece hoje, sinceramente, é deprimente. Movimenta milhões e é baseado em qual lógica ? Ouvir as mesmas músicas ininterruptamente, beijar bocas que não conheço e admirar alguém gritando "sai do chão, sai do chão" como se esse fosse um herói pronto a me levar para outro mundo ou realidade? Isso é triste.
Não odeio Carnaval, não passo o feriado fazendo retiro espiritual, não acho que seja uma "festa do pecado" condenável e admiro o trabalho de formiguinha daqueles que, literalmente, "colocam o bloco na rua". Eu ainda só não sei direito (não?) de onde vem todo esse dinheiro que, curiosamente, também sai limpinho, limpinho depois desses quatro dias. Literalmente, de alma lavada.