sábado, 1 de março de 2008

O bispo, os interesses e a liberdade

Por Romero Cruz

A Folha de São Paulo publicou uma reportagem da jornalista Elvira Lobato no dia 15 de dezembro sobre a fortuna acumulada da Igreja Universal do Reino de Deus. A reportagem mostra as empresas e seus donos que são ligados à igreja, como funcionam e o que acontece quando eles deixam de fazer parte da mesma. Jornais de circulação diária, agência de turismo, gráfica, táxi aéreo estão entre as empresas citadas na reportagem.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u355188.shtml

Até aí tudo bem, porém, surgiram ações pedindo indenizações por danos morais movidas por fiéis da igreja em diversas varas especiais do judiciário dos estados. O curioso é que alguns parágrafos dos processos chegam a ser iguais e como os pedidos são em estados diferentes dificulta a defesa. O juiz Edinaldo Muniz dos Santos, titular da comarca de Epitaciolândia, no Acre, disse que há um "assédio judicial", ou seja, "uma atuação judicial massificada e difusa da Igreja Universal contra o jornal".
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u370903.shtml

Às vezes fico a pensar que a IURD tem síndrome de perseguição, porque a imprensa não pode fazer nenhum tipo de reportagem ou notícia sobre a mesma, a não ser que passe uma imagem positiva. Vivemos um regime democrático, com liberdade de imprensa, liberdade religiosa e um estado laico. Atitudes como essa busca inibir a imprensa de cumprir com seu papel, que é de informar de maneira responsável e imparcial.

É extremamente normal que a IURD faça uso da Record para seus interesses, apesar de ser uma concessão pública, afinal eles são os donos. Os outros veículos fazem o mesmo na defesa de seus interesses. Lamento que nós, leitores, ouvintes e telespectadores somos vitimados por esse jogo de interesses, onde temos a informação que interessa a eles, não a que precisamos para o nosso conhecimento.

Programas jornalísticos com conteúdo propagandista da IURD na Record, confundindo o telespectador da informação, têm sido cada vez mais freqüentes. O triste é ver jornalistas sérios e com um histórico tendo que apresentar esses tipos de matérias. Em entrevista de Paulo Henrique Amorim á revista Ser Médico do CREMESP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) ele é bem claro quando não se Poe no ar o que é de interesse da empresa “rompe o contrato, paga a multa e manda embora: esse é o jogo”.

Quanto a nós, tenhamos o senso crítico para a difícil tarefa de separamos o que é notícia do que é interesse das grandes corporações da imprensa no nosso país. Resta a nós estudantes de jornalismo, viver a utopia de um jornalismo sério, responsável e imparcial. Esse é o ideal enquanto não temos “nosso rabo preso”. Viva a liberdade religiosa! Nada de invadir terreiros de umbanda e candomblé nem quebrar imagem de santos em igrejas. Viva a liberdade de imprensa! Nada de ações judiciais que ameace a informação verdadeira.

Um comentário:

Unknown disse...

"É extremamente normal que a IURD faça uso da Record para seus interesses"

Cara, não é normal, não!

A IURD usa a Record para transferir dinheiro do dízimo, que não tem imposto, para a emissora, e de lá para os bolsos de um montão de gente.

Esta seita paga R$ 140 mil por hora para manter sua programação de madrugada na Record, que rende um ponto no Ibope. No mesmo horário, a audiência da Globo é quatro vezes maior, mas o faturamento é de R$ 40 mil por hora. Outra evidência do superfaturamento está no fato de que a seita aluga horário em outra TV e paga muito menos.

Um abraço!