domingo, 10 de fevereiro de 2008

O carnaval dos cartões corporativos continua...

Por Romero Cruz

- Veja bem companheiro, você será um funcionário com cargo de confiança. E receberá um cartão de crédito corporativo.

- E como devo usar esse cartão?

- Veja, você só poderá usá-lo quando estiver prestando serviço ao governo. Ele foi criado para que tenhamos mais controle com os gastos públicos. Você terá um limite de gastos, se perceberem que você está abusando a coisa pode complicar.

- Então eu posso comprar o que eu quiser até o meu limite?

- Veja bem companheiro, não é bem assim, entende? O cartão é sigiloso, mas é melhor não abusar.

- Tapioca de R$ 8,30 não pode? Almoço de mil reais também não? Superfaturar diárias de hotel nem pensar? Explique-me melhor companheiro?

- Assim dar muito na cara, entende? E o que é da segurança presidencial não pode ser público, entende?

- Mas por quê? E a transparência? Sinceramente companheiro, não estou entendendo bem, nem funcionário de alto escalão eu sou.

- Mas você tem direito, pegue o seu e faça um bom proveito dele, mas não abusa companheiro.

- Tudo bem, eu aceito e tentarei ser ético no uso do meu cartão. Entendo que ele seja importante no controle dos gastos, desde que esse controle seja feito. Entendo também que o quanto mais transparente melhor, assim não haveria abusos no uso. Entendo que deveria ter uma maior fiscalização no uso dos cartões, que mecanismos sejam criados para fiscalizar os mais de 11 mil cartões distribuídos para os funcionários e para terminar que quando houvesse denúncia de uso indevido fosse apurado com veemência e transparência, para que o contribuinte que paga nossos cartões saibam ao menos em que está sendo gasto seu dinheiro. Porque nunca antes na história desse país tivemos tantas denúncias de corrupção. Você concorda companheiro?

- É companheiro, é companheiro...

Um comentário:

Unknown disse...

De tudo que foi dito sobre a farra da gastança de comissários e familiares do presidente da república com os cartões de crédito corporativos, faltou enunciar claramente, sem meias palavras, uma verdade conclusiva: foi roubo puro e simples, e os roubadores, se vivêssemos sob o império da lei, deveriam ser indiciados como ladrões comuns. É o espetáculo da impunidade.