terça-feira, 24 de junho de 2008

A lei da "Tolerância Zero"

Por Tatiana Melim

A lei “Tolerância Zero”, que prevê multa, apreensão do veículo, perda da carteira e até prisão do motorista que apresentar até 2 decigramas de álcool no sangue (o equivalente a menos de um copo de chopp), foi aprovada na última sexta-feira (21/06).

Segundo reportagem da Folha On-line, após 3 dias de sancionada a lei, cerca de 42 pessoas foram presas em todo o país. Assim, a discussão a cerca do assunto começou a “estourar”.

Pois bem, todos concordam que alguma medida precisa ser tomada para diminuir os acidentes no trânsito. Mas, acreditar que ninguém mais vai beber e dirigir é ilusão. Não bastam leis que contribuem com mais arrecadação para a esfera pública, é necessário soluções mais trabalhosas como educação e conscientização que, claro, são mais caras do que aprovar uma lei.

Inclusive, seria perfeito se todas as leis fossem feitas para o benefício da sociedade e não em benefício daqueles que confundem o público com o privado e usam as leis para interesses próprios. Dessa forma, infelizmente, acabamos vivendo a “lei” do mais forte e ficamos com a sensação da injustiça e da impunidade.

Diversas vezes pensei: a lei me atinge e atinge aquele cara também que está sendo esculachado pela polícia, e este, por sua vez, tem a lei a seu favor. Não quero generalizar, pois claro que cada caso é um caso. Mas, acredito que muitos já passaram por essa sensação: injustiça e impunidade.

Então, basta analisarmos esse caso, tentarmos interpretar e entender o que é preciso ser feito. Precisamos enxergar além do lide* das matérias jornalísticas. Inclusive, é a intenção deste blog, tentar fazer algumas breves leituras sobre os fatos e abrir para a discussão democrática. Assim, nos perguntamos: uma lei irá resolver a questão?

*Lide: estrutura robotizada e ensinada nas escolas de jornalismo como padrão para apresentação de uma notícia. O lide corresponde às respostas que encontramos no primeiro parágrafo de uma matéria, no qual contém as respostas: O que? Como? Quando? Onde? Por quê? Quem?

Um comentário:

Unknown disse...

Engraçada a lei brasileira.

Um motorista que for flagrado sob o efeito de drogas, portanto um papelote de droga ilícita (cocaína maconha, etc.) sai livre. No máximo passa algumas horas numa delegacia.

Outro motorista que for flagrado no bafômetro por ter tomado uma lata de cerveja ou uma taça de vinho, leva uma multa de R$ 952 e perde a carteira.

O primeiro contribuiu para o crime organizado e saiu livre. O segundo consumiu um produto lícito, contribuiu para a receita do governo com impostos, leva uma multa e perde a carteira.

É trágico se não fosse cômico!