terça-feira, 15 de abril de 2008

Quando a democracia funciona

Por Romero Cruz

Para nós, que acreditamos estarmos vivendo numa democracia é com louvor que recebemos a notícia da renúncia do reitor da UnB (Universidade de Brasília) Timothy Mulholland. Acusado de ter usado recursos da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos), o ex-reitor da UnB utilizou cerca de R$ 470 mil da Finatec na compra de móveis de luxo para seu apartamento funcional, dinheiro esse que deveria ir para pesquisas tecnológicas.

Esse caso de irregularidade não teria tido esse fim se não fosse o papel da imprensa, exercendo sua liberdade e principalmente dos estudantes da universidade reivindicando seus direitos. Esse acontecimento nos recorda a outro momento da nossa história quando estudantes pintavam a cara e pedia a saída do presidente acusado de corrupção.

Esse episódio da UnB bem que poderia levar a nossa classe estudantil universitária a uma reflexão do poder de mobilização que ela tem, já que a geração dos caras pintadas parece distante e coisa do passado. Que a atitude dos estudantes de Brasília não fique restrita só a um interesse imediato e local, mas que seja exemplo de mais uma ferramenta para equilibrar a nossa democracia. Denúncias de irregularidades e corrupção não faltam nesse Brasil “de meu Deus” para mais protestos.

2 comentários:

Unknown disse...

Oi, Romero!

Motivos para protestar não faltam!

Temos muito mais motivos e muito mais graves do que aqueles que levaram os cara-pintadas da UNE para as ruas.

Onde estão eles então?

Estão com os "movimentos sociais", sindicatos, ONG's e tantos outros mamando nas tetas das verbas públicas!

Eles não sairão às ruas para protestar contra quem lhe paga as contas!

No tempo do Collor, assim como hoje, a UNE era pautada pelo PT e os partidos de esquerda em geral. Eles têm uma militância feroz, com poder de mobilização das massas. Esse poder só é exercido quando atende ao interesse do PT-no-governo.

Assim, continuaremos com o espetáculo da corrupção, da desfaçatez, da farra com dinheiro público, sem nenhum cara-pintada para protestar.

Um abraço.

Equipe Semana em Foco disse...

Romero

Só discordo de um ponto: a saída do Collor não aconteceu porque os caras-pintada foram para as ruas protestar, mas porque interesses maiores quiseram que as coisas caminhassem daquela maneira.
Se você bem lembra, nesta mesma época a Rede Globo exibiu "Anos Rebeldes", para que os jovens pudessem se identificar com as figuars que protestavam (de verdade) no final dos 60, início dos 70. Havia toda uma campnha para fazer de Lindemberg Farias o ídolo da juventude, Thereza Collor, a musa do impeachment e por aí foi.
De fato, Collor saiu, mas que os estudantes foram meros coadjuvantes, é fato.
Beijão
Telma
P.S: Eu estive na Paulista em uma das passeatas e posso dizer que grande parte não sabia nem por que estava ali (acho que eu, do alto dos meus 18 anos, também não...rs)