terça-feira, 27 de novembro de 2007

Por que não aprendemos com as tragédias?

Por Romero Cruz

Diante dos últimos acontecimentos no Brasil e no mundo, tenho me perguntado: Por que não aprendemos com as tragédias? Por que os governantes e a população não reagem? Por que as tragédias continuam acontecendo? E principalmente: Quando aprenderemos?

Tragédia como a da garota de 15 anos que ficou presa por 24 dias com 20 homens na delegacia do município de Abaetetuba, no nordeste do Pará, sendo abusada sexualmente em troca de comida. E quantas outras meninas e mulheres sofrem violência caladas, vitimadas pelo abandono, por uma sociedade machista em que reina a impunidade.

Tragédia de cidadãos que trabalharam durante a vida e lutam por uma aposentadoria digna, não tendo seus direitos reconhecidos, sofrendo nas humilhantes filas do INSS por esse pais e em alguns casos chegando a morrer na espera. Ano após ano, as histórias se repetem.

Tragédia de presos que se amontoam em penitênciárias superlotadas, aguardando um julgamento do nosso lento poder judiciário no falido sistema penitênciário brasileiro, onde presos são tratados como bichos, gerando ódio e indignação. A recuperação desses cidadãos só mesmo por vontade própria, pois o Estado não oferece condições. As rebeliões são um grito por mais dignidade para essas pessoas que, mesmo com seus erros, merecem uma oportunidade de recuperação por parte do Estado.

Tragédia das nossas crianças que perdem a esperança de um futuro, virando apenas dados estatísticos. Não são respeitados seus direitos à educação, à saúde e ao bem estar. O que será do futuro de um pais que abandona suas crianças, deixando-as viver pelas ruas, como mão-de-obra para o tráfico, aliciadas para a prostituição e sofrendo todo tipo de violência?

Tragédia como a que vimos neste domingo último no estádio da Fonte Nova em Salvador. O que era para ser uma festa pelo retorno do time do Bahia para a segunda divisão do campeonato brasileiro, ficou marcado pelo desabamento de parte da arquibancada que ocasionou a morte de sete pessoas e aproximadamente 25 feridos. Até a copa de 2014 as autoridades terão que trabalhar muito para deixar os estádios seguros, mas até lá, que os deuses nos protejam.

Tragédias naturais como a do ciclone Sidr, que deixou mais de 3 mil mortos e aproximadamente 3 milhões de pessoas desabrigadas em Bangladesh na semana passada. As autoridades ambientais não cansam de denunciar a ação destruidora do homem no planeta Terra, causando mudanças climáticas e prevendo conseqüências assustadoras para a vida na Terra.

Se eu continuar enumerando as tragédias, esse texto não terá fim. Apenas citei algumas, e todas são tragédias anunciadas, que poderiam ser evitadas. Mas, como nunca aprendemos, elas continuarão se repetindo. Quem sabe no noticiário de amanhã.

3 comentários:

Ivan Costa disse...

Muito bom! Se me permite arriscar uma resposta à sua pergunta, eu diria que não aprendemos porque as tragédias ainda nos parecem muito distantes. Se perguntássemos aos sobeviventes e aos parentes das vítimas, eles provavelmente diriam que aprenderam a não confiar em seus governantes.

Equipe Semana em Foco disse...

Romero, seu texto me emocionou. Diria que me emocionou pelos acontecimntos citados, mas sobretudo, pela demonstração de solidariedade.
Denota, existirem ainda pessoas, que se emocionam, sentem na alma e no coração a tragédia ocorrida na vida do outro, de um semelhante.
Se nos sabemos assim, ainda sensíveis as dores da humanidade, podemos ainda crer, podemos ainda ter esperança.
Ainda existe consciência, ainda temos indignação.
Melhor, menos ruim.
Não resolve o problema, mas como disse acima, nos dá esperança. Parabéns pelo texto, que transbordou verdade, e pelo olhar honesto e dolorido, dirigido ao mundo.

Equipe Semana em Foco disse...

Romerito,

O ser humano não aprende, a menos que sinta na pele o sofrimento....assim é a "solidariedade" humana, infelizmente. Até porque só damos valor a ela quando precisamos, pois na hora de dar parecemos todos "ocupados demais" para "perder tempo" com a dor do outro (sempre insignificante diante de nossas enoooormes chateações diárias).
Concordo, infelizmente, concordo com você....
Mas como já dizia Gandhi "nós devemos ser a diferença que desejamos ver no mundo"...ou ninguém jamais dará o primeiro passo em busca da mudança!!
E, antes de qualquer coisa, vamos dar aos problemas a real dimensão deles, sempre !
Bjocas
Telma