segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Que sei eu de mim ?

Por Telma De Luca

Final de semana mais do que prolongado em São Paulo. Dois feriados "emendados" e vários dias de folga. E no meio do caminho, um ciclo de palestras. "Obrigação chata!", pensei num primeiro momento. Tolinha.

Tive o prazer de assistir a algumas das palestras do I Salão Nacional do Jornalista Escritor, realizado no Memorial da América Latina. Jornalistas-escritores mais do que experientes dando seus depoimentos, falando sobre nossa profissão, suas agruras e suas recompensas. Tudo muito produtivo e enriquecedor. Saí de lá ainda mais certa de estar no caminho, mas...não foi esse o pensamento que me corroeu e fez minha alma revirar. Saí de lá pensando na humildade.

Sim, na humildade. Não na falsa humildade, aquela que vem recoberta por uma certa camada de timidez ou de deslocamento social. Não. Aquela. A verdadeira. A que nos faz olhar com firmeza nos olhos dos outros, ver seu brilho e sabiamente reconhecê-lo.

Aquela, de saber que somos eternos aprendizes, mesmo quando, pretensamente, já "vimos de tudo nessa vida". A humildade de conhecer nosso talento e, ainda assim, saber ouvir, aprender, apreender e guardar o que houver de bom nas palavras de alguém.

Não acho, mesmo, que alguém deva se fingir de menos ou colocar-se na posição de "coitadinho" para parecer humilde. Não. A segurança de dizer "não sei" é muito mais honesta e verdadeira do que a pretensão de tudo saber ou conhecer. Alguém já disse "Só sei que nada sei" (Sócrates ?) e eu, pretensa filósofa de mesa de bar, digo,depois de tantos exemplos, "só sei que nada sei, ainda bem !".


Um comentário:

Ivan Costa disse...

Muito bom! Sócrates provavelmente teria concordado plenamente com você. Só a convicção da nossa limitação nos permite aprender alguma coisa.