terça-feira, 15 de julho de 2008

A justiça que não se entende

Por Romero Cruz

Nos últimos tempos a opinião pública vem se indignando com as decisões da justiça de mandar soltar acusados de crimes. É freqüente ouvir a frase “a polícia prende e a justiça manda soltar”. O exagero de liminares e habeas corpus por parte da justiça abre espaço para um questionamento: Ou a polícia investiga mal e prende mal ou a justiça não se entende e não cumpre a lei.

Os crimes cada vez mais bárbaros e chocantes, com imagens capturadas por câmeras deixam a todos estupefatos. Nunca tivemos tantas operações da polícia federal, só para lembrar algumas: Operação Afrodite, anaconda, hurricane, pandora, placebo, jaleco branco, sanguessuga e vampiro, desmantelando verdadeiras organizações criminosas.

Na semana passada, a polícia federal depois de quatro anos de investigações desencadeou a operação Satiagraha e pediu a justiça a prisão do banqueiro Daniel Dantas, do investidor Naji Nahas, do ex-prefeito Celso Pitta e de outros 14 acusados de integrarem suposto esquema de desvio de recursos públicos, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Vimos um festival de prende e solta, prende e solta, gerando uma crise no judiciário entre seus magistrados.

A impressão que se tem é que recursos tecnológicos como gravações e grampos, que ajuda muito as investigações não estão sendo considerados provas, ou seja, todos ouvimos diálogos cabeludos, vemos imagens de montanhas de dinheiro destinado a crimes e temos que fingir que somos cegos e surdos, e ainda nos querem mudos.

E não é só “graúdos” que não permanecem presos, nesta segunda-feira, a justiça do Rio mandou soltar o policial militar Marcos Parreira do Carmo, que matou com um tiro o estudante Daniel Duque Pittman de 18 anos, o policial estava fazendo um “bico” de segurança (o que a lei proibe) para o filho da promotora de Justiça Márcia Velasco. O detalhe é que O Tribunal de Justiça ainda não informou os motivos pelo qual o policial teve a liberdade concedida. Será que o policial não é capaz de imaginar que se ele atira em alguém esse disparo pode matar? Ou a vida do próximo não tem nenhum valor ou ele acredita que não será punido?

Espero que casos como esse não continuem a acontecer, pois muitos hoje só acreditam na justiça de Deus, espero que não cheguem a acreditar só na justiça das próprias mãos. O símbolo da justiça com olhos vedados e uma balança significa uma justiça imparcial e justa. Chega de advogados espertalhões que usam de brechas da lei para praticarem injustiças. Todos queremos ainda confiar na justiça.

3 comentários:

Ivan Costa disse...

Minha conclusão é que a polícia investiga mal e prende o que consegue. Já a justiça se entende, mas justamente no sentido de não cumprir a lei quando há uma alternativa mais lucrativa.

Liana Vidigal disse...

Romero,
Parabéns pela iniciativa de manter o blog.
Espero que esta experiência sirva para vc desenvolver cada vez mais o seu texto.
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Unknown disse...

Lendo o artigo, me veio à cabeça uma frase q uma amiga advogada me disse:
"Um advogado é pago para defender os interesses do seu cliente"
Faz a justiça parecer um jogo onde ganha quem tem mais dinheiro ou mais poder.