domingo, 20 de abril de 2008

Berlusconi e a "esenzione del giornalismo"

Por Telma De Luca

É com uma certa preocupação que vejo a ascensão da direita na Itália. Berlusconi , o homem mais rico do país,volta ao poder dois anos depois, assumindo um país em crise. O que chama a atenção é o fato de ele ser dono de um império das telecomunicações, o Mediaset, que tem, entre outros negócios, canais de TV (Canale 5, Italia 1 e Rete 4, na Itália e Telecinco, na Espanha), cujos concorrentes são a estatal (mas ele não é o primeiro-ministro agora?) RAI e o LA7.

Há alguns anos que se discute o futuro da imparcialidade da imprensa diante da inclusão de empresas de comunciação em grandes conglomerados formados pelos mais diversos tipos de negócios. A empresa de comunicação apenas como mais um braço, mais um gerador de lucro. Até onde vai a postura isenta de uma empresa para falar da empresa da qual faz parte ? Ignacio Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique sempre traz essa discussão à tona, como eu mesma pude conferir ao assistir uma palestra sua em São Paulo. Segundo ele, a formação de conglomerados de comunicação prejudica a base do bom jornalismo, a isenção, a imparcialidade com as quais a imprensa deve sempre trabalhar, para que chegue às mãos dos leitores a notícia mais próxima possível do fato em si. Uso aqui a expressão "mais próxima possível" porque sempre que alguém escreve um texto, estão ali, nas entrelinhas e verbos utilizados todo um histórico de vida, um repertório que permeia aquele texto, assim como a angulação de uma foto pode levar determinada perspectiva a quem a vê. Ainda assim, o caminho ético do bom jornalismo é ater-se aos fatos, ouvir fontes, checar, fazer chegar ao leitor denúncias sérias de interesse público, casos de corrupção em empresas, desfalques, roubos, assim como resultados positvos, conquistas, atitudes socialmente responsáveis.

O que eu questiono é: quando se misturam o poder econômico, o poder executivo e o poder da mídia, o que pode acontecer ? Não vejo com bons olhos e me amedronta pensar que assuntos graves de interesse nacional podem ser simplesmente abafados em nome do bom funcionamento da "macchina". Pior, podem ser divulgados em nome de uma "pseudo-transparência", para depois serem abafados com um "Io non lo so".

P.S: Para saber mais sobre o tamanho do grupo Mediaset, visite a página deles: http://www.mediaset.it

Um comentário:

Unknown disse...

Eu estou muito mais preocupado é com a ascenção das esquerdas na América Latina e com o silêncio da grande mídia brasileira que nos últimos 15 anos ocultou da opinião pública a criação do Foro de São Paulo.
Os poucos jornalistas que corajosamente denunciaram esta aliança espúria que quer demolir a democracia na AL foram ridicularizados e silenciados até com ameaças de morte.