quarta-feira, 28 de novembro de 2007
terça-feira, 27 de novembro de 2007
Por que não aprendemos com as tragédias?
Por Romero Cruz
Diante dos últimos acontecimentos no Brasil e no mundo, tenho me perguntado: Por que não aprendemos com as tragédias? Por que os governantes e a população não reagem? Por que as tragédias continuam acontecendo? E principalmente: Quando aprenderemos?
Tragédia como a da garota de 15 anos que ficou presa por 24 dias com 20 homens na delegacia do município de Abaetetuba, no nordeste do Pará, sendo abusada sexualmente em troca de comida. E quantas outras meninas e mulheres sofrem violência caladas, vitimadas pelo abandono, por uma sociedade machista em que reina a impunidade.
Tragédia de cidadãos que trabalharam durante a vida e lutam por uma aposentadoria digna, não tendo seus direitos reconhecidos, sofrendo nas humilhantes filas do INSS por esse pais e em alguns casos chegando a morrer na espera. Ano após ano, as histórias se repetem.
Tragédia de presos que se amontoam em penitênciárias superlotadas, aguardando um julgamento do nosso lento poder judiciário no falido sistema penitênciário brasileiro, onde presos são tratados como bichos, gerando ódio e indignação. A recuperação desses cidadãos só mesmo por vontade própria, pois o Estado não oferece condições. As rebeliões são um grito por mais dignidade para essas pessoas que, mesmo com seus erros, merecem uma oportunidade de recuperação por parte do Estado.
Tragédia das nossas crianças que perdem a esperança de um futuro, virando apenas dados estatísticos. Não são respeitados seus direitos à educação, à saúde e ao bem estar. O que será do futuro de um pais que abandona suas crianças, deixando-as viver pelas ruas, como mão-de-obra para o tráfico, aliciadas para a prostituição e sofrendo todo tipo de violência?
Tragédia como a que vimos neste domingo último no estádio da Fonte Nova em Salvador. O que era para ser uma festa pelo retorno do time do Bahia para a segunda divisão do campeonato brasileiro, ficou marcado pelo desabamento de parte da arquibancada que ocasionou a morte de sete pessoas e aproximadamente 25 feridos. Até a copa de 2014 as autoridades terão que trabalhar muito para deixar os estádios seguros, mas até lá, que os deuses nos protejam.
Tragédias naturais como a do ciclone Sidr, que deixou mais de 3 mil mortos e aproximadamente 3 milhões de pessoas desabrigadas em Bangladesh na semana passada. As autoridades ambientais não cansam de denunciar a ação destruidora do homem no planeta Terra, causando mudanças climáticas e prevendo conseqüências assustadoras para a vida na Terra.
Se eu continuar enumerando as tragédias, esse texto não terá fim. Apenas citei algumas, e todas são tragédias anunciadas, que poderiam ser evitadas. Mas, como nunca aprendemos, elas continuarão se repetindo. Quem sabe no noticiário de amanhã.
Diante dos últimos acontecimentos no Brasil e no mundo, tenho me perguntado: Por que não aprendemos com as tragédias? Por que os governantes e a população não reagem? Por que as tragédias continuam acontecendo? E principalmente: Quando aprenderemos?
Tragédia como a da garota de 15 anos que ficou presa por 24 dias com 20 homens na delegacia do município de Abaetetuba, no nordeste do Pará, sendo abusada sexualmente em troca de comida. E quantas outras meninas e mulheres sofrem violência caladas, vitimadas pelo abandono, por uma sociedade machista em que reina a impunidade.
Tragédia de cidadãos que trabalharam durante a vida e lutam por uma aposentadoria digna, não tendo seus direitos reconhecidos, sofrendo nas humilhantes filas do INSS por esse pais e em alguns casos chegando a morrer na espera. Ano após ano, as histórias se repetem.
Tragédia de presos que se amontoam em penitênciárias superlotadas, aguardando um julgamento do nosso lento poder judiciário no falido sistema penitênciário brasileiro, onde presos são tratados como bichos, gerando ódio e indignação. A recuperação desses cidadãos só mesmo por vontade própria, pois o Estado não oferece condições. As rebeliões são um grito por mais dignidade para essas pessoas que, mesmo com seus erros, merecem uma oportunidade de recuperação por parte do Estado.
Tragédia das nossas crianças que perdem a esperança de um futuro, virando apenas dados estatísticos. Não são respeitados seus direitos à educação, à saúde e ao bem estar. O que será do futuro de um pais que abandona suas crianças, deixando-as viver pelas ruas, como mão-de-obra para o tráfico, aliciadas para a prostituição e sofrendo todo tipo de violência?
Tragédia como a que vimos neste domingo último no estádio da Fonte Nova em Salvador. O que era para ser uma festa pelo retorno do time do Bahia para a segunda divisão do campeonato brasileiro, ficou marcado pelo desabamento de parte da arquibancada que ocasionou a morte de sete pessoas e aproximadamente 25 feridos. Até a copa de 2014 as autoridades terão que trabalhar muito para deixar os estádios seguros, mas até lá, que os deuses nos protejam.
Tragédias naturais como a do ciclone Sidr, que deixou mais de 3 mil mortos e aproximadamente 3 milhões de pessoas desabrigadas em Bangladesh na semana passada. As autoridades ambientais não cansam de denunciar a ação destruidora do homem no planeta Terra, causando mudanças climáticas e prevendo conseqüências assustadoras para a vida na Terra.
Se eu continuar enumerando as tragédias, esse texto não terá fim. Apenas citei algumas, e todas são tragédias anunciadas, que poderiam ser evitadas. Mas, como nunca aprendemos, elas continuarão se repetindo. Quem sabe no noticiário de amanhã.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Entrevista com Isabela Boscov
Isabela Boscov, editora de cinema da Revista Veja, fala, nesta entrevista, sobre o filme Tropa de Elite.Semana em Foco: Qual a novidade que o filme Tropa de Elite, trouxe para o cinema nacional?
Isabela Boscov: O cinema brasileiro por uma série de razões, sempre se preocupa mais com o ponto de vista do crime ou da proximidade dele, tem sempre muitas histórias que influenciam isto, hábitos narrativos e ideologias. Teremos policiais como personagem desta vez, e o policial mesmo utilizando métodos deploráveis e cruéis, é um policial que quer se manter honesto e fazer alguma diferença no trabalho dele.
SF: Qual o público-alvo do filme Tropa de Elite?
Isabela Boscov: Discordo desta visão, acho que o filme foi feito para qualquer um. Essa visão mercadológica existe em uma parcela do cinema brasileiro, mas no geral é uma maneira americana de ver o cinema brasileiro, porque o cinema americano tem uma origem mercadológica. O cinema brasileiro não se orienta desta forma, no geral, principalmente em filmes mais pessoais como o Tropa de Elite, Cidade de Deus e o Cheiro do Ralo, têm todas as categorias de filme que você pode imaginar, nasce mais da vontade do cineasta.
SF: O filme choca mais pelo conflito social que traz do que pelas cenas em si?
Isabela Boscov: Eu acho que Jose Padilha, tem uma vocação especial mesmo, tanto no 174 (documentário Ônibus 174), quanto neste filme, dá uma visão tão cheia de facetas, sobre o tema que ela de fato se torna chocante, você vê aquele assunto na totalidade dele, que acaba virando mais chocante do que a cena, tem sim muitas cenas chocantes, um exemplo é a cena do saco plástico, que é horrorosa, ver a situação tão completa o torna absolutamente chocante.
SF: O filme não traz uma solução, por isso, não tem um fim, isso o tornou mais real?
Isabela Boscov: Não há uma solução simples. Onde está a solução? O que o filme faz na verdade é o seguinte: Te dar uma série de dados e regras, e dentro destas regras, mostra como que estes personagens podem se movimentar. O filme choca inclusive porque ele não propõe nenhuma saída, ele termina sem dar uma mudança de regras, porque realmente você tem que começar do zero novamente.
SF: O filme levanta a polêmica do financiamento do tráfico por “playboys”, ele rompe o estereótipo de que drogado é só pobre e favelado?
Isabela Boscov: O tráfico no Brasil e no mundo, sobrevive do usuário recreativo e o fato de o diretor colocar este consumidor eventual, que acha que não esta fazendo mal nenhum, pelo contrario é apresentado como sócio do crime. É uma coisa que vários secretários de segurança já tentaram mostrar e desistiram, mas o filme deixa isto muito claro.
SF: Em uma entrevista, o diretor Jose Padilha, disse que não imaginava que seu filme seria tão pirateado, se mostrando decepcionado em investir no cinema nacional. O que você tem a dizer sobre isso?
Isabela Boscov: Eu sou radical neste ponto, lei é lei, e se você acha que é injusto, como membro da sociedade, tem que se unir ao demais e tentar mudar, pirataria é crime. Comprar um CD aqui, um DVD ali, você está sendo sim, sócio do crime.
Existe uma visão que eu acho completamente equivocada, de que a pirataria é uma forma de disseminar a cultura. O José Padilha esta sendo privado do direito dele, ele não vai recuperar tudo aquilo que ele investiu.
SF: O capitão Nascimento no filme é um policial “herói” cheio de problemas. As pessoas se identificam com ele?
Isabela Boscov: Diante da violência social, como no caso de João Hélio (garoto que foi arrastado e morto por assaltantes no Rio), as pessoas vêm levando suas emoções ao extremo, querendo tirar os assassinos da face da terra. Eu saí do filme mais convicta do que nunca, de que a violência é a pior resposta para a violência.
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
Elaine Brum, uma inspiração!
Por Patrícia Aguiar
Entre os dias 15 e 18 deste novembro de 2007, aconteceu no Memorial da América Latina o I SALÃO NACIONAL DO JORNALISTA ESCRITOR, com convidados especialíssimos participando de palestras, debates, entrevistas e mesas de autógrafos. ( como já escreveu minha colega Telma, em postagem anterior ).
Entre os dias 15 e 18 deste novembro de 2007, aconteceu no Memorial da América Latina o I SALÃO NACIONAL DO JORNALISTA ESCRITOR, com convidados especialíssimos participando de palestras, debates, entrevistas e mesas de autógrafos. ( como já escreveu minha colega Telma, em postagem anterior ).
Em particular posso narrar os acontecimentos do dia 18 de novembro, quando ocorreu a finalização do evento e dia em que estive presente.
Na roda de debates, eram convidados os jornalistas, Caco Barcellos, Elaine Brum e Domingos Meirelles e intermediando a mesa estava, Florestan Fernandes Júnior. ( Antes, abrindo o dia, estiveram presentes Juca Kfouri e Moacyr Scliar, presenças que infelizmente, não consegui apreciar ).
Destes três competentes jornalistas, o que mais me comoveu e de certa forma inspirou, foi Elaine Brum. Com um discurso firme e incisivo, ela não deixou margem a dúvidas a respeito de sua convicção sobre o trabalho e postura do jornalista. Enfatizou que talvez a preguiça seja o maior mal dos profissionais atuantes no mercado. Falou que era necessário compromisso com a verdade factual. Defendeu com ardor que o laboro necessário a realização de uma reportagem de fundamento e valor, parte de uma apuração rigorosa, da busca do confronto de dados, da maior aquisição possível de relatos reais do acontecimento tratado. Falou da dificuldade que é ser um jornalista ético, em uma máquina jornalística que é, sobretudo, empresa de capital e como capital, visa lucro e portanto, muitas vezes, não tem interesse em “determinadas” histórias. Vislumbrou como solução para a continuidade da boa reportagem, o livro reportagem, além dos blogs e a luta diária por um espaço nas redações, sejam quais forem às empresas em que estiverem inseridas. Enfatizou que uma reportagem bem executada, em todas as suas etapas, terá sempre lugar se acompanhada de uma defesa fervorosa.
Elaine Brum é dessas pessoas que ao falar/escrever, convencem, ou no mínimo, empolgam, quem a escuta ou lê.
Domingos Meireles e Caco Barcelos, muito competentes, fizeram eco a fala de Elaine e ainda nos brindaram com a narrativa de situações pitorescas ou difíceis que atravessaram para construir suas carreiras e as aventuras e riscos com as quais se depararam em busca das reportagens de suas vidas.
Sou uma admiradora entusiasta de Mino Carta e apesar de não concordar em 100% com tudo que diz, não posso resistir a este veterano na guerra que é fazer jornalismo crítico e consciente em nosso país. O charme que a experiência e a sua simples presença transmite, é algo que talvez atrapalhe um julgamento.
Mino Carta foi o entrevistado da noite. Respondeu a todas as questões sem titubear e sem medo de exprimir sua visão do mundo e suas instituições. Rechaçou os Civita, criticou a mídia nacional, falou de política e economia.
Falou também das convicções fundamentais de um jornalista: procurar categoricamente e fielmente a verdade factual, vigiar incansavelmente o poder ( em qualquer instância ), conhecer e amar sua língua natal.
Por fim, foram grandes lições que certamente mereciam espaço para serem difundidas.
E, posso com convicção afirmar, que a empolgação e inspiração, ganhas neste dia, irão seguir-me daqui por diante.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Desigualdade social ou racial?
Por Tatiana Melim
Nessa última terça-feira, dia 20 de novembro, comemorou-se em algumas cidades o dia da Consciência Negra. Para muitos a data não passou de um simples feriado, porém as reflexões étnicas e sociais que diversos movimentos proporcionam nesse dia valem muito mais do que apenas estar de folga do trabalho.
No mesmo dia, li um artigo em que o título dizia: A desigualdade social no Brasil é definida pela diferença de raça. E eu, ao pensar sobre o assunto, não discordei de tal afirmação. Basta verificarmos os dados disponíveis.
Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos), o ganho mensal dos negros pode ser até 52,9% menor do que dos não-negros. A fundação SEADE (Sistema estadual de Análise de Dados), também em estudos, mostra que os negros enfrentam dificuldades para ocupar os melhores postos no mercado de trabalho. Segundo a pesquisa cerca de 4,6% dos negros do estado de São Paulo ocupam cargos de direção ou planejamento, enquanto os brancos ocupam 18,2%.
Pode parecer absurdo que no país em que sua formação está totalmente ligada à mistura de raças ainda há índices como esses. É constrangedor, sobretudo intrigante, saber que em um mundo onde as pessoas se consideram tão avançadas, sempre descobrindo novas tecnologias, há ainda essa discussão e essa luta pela busca da Igualdade Racial.
A sociedade não precisa, por exemplo, de um crescimento de mais de 5% ao ano, e sim que esse crescimento se dê por igual. Porém, a sociedade também precisa entender que somos todos iguais e, por isso, poderia dar mais valor e entender mais esse movimento importante e que colabora na luta por um melhor desenvolvimento social.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
¿Por qué no te callas?
Por Romero Cruz
A 17ª Cúpula Ibero-americana de chefes de Estado e de governo só não foi um fracasso total porque aconteceu uma cena inusitada, protagonizada pelo Rei da Espanha Juan Carlos e o Presidente “camarada” Hugo Chávez.
A discussão começou quando Chávez criticava severamente o ex-primeiro ministro espanhol José María Aznar o chamando de facista e o atual primeiro ministros espanhol José Luis Rodríguez Zapatero pediu respeito a Chávez, pois, mesmo não concordando com as idéias do seu antecessor, Zapatero lembrou que ele foi eleito democraticamente pelo povo espanhol. O Presidente venezuelano não parava de falar e ouviu um “¿por qué no te callas?” do rei espanhol, que se retirou do encontro.
O marco desse episódio foi que pela primeira vez cara-a-cara alguém teve a coragem de tentar colocar Chávez no seu lugar. O Presidente venezuelano não se comporta diplomaticamente em suas aparições, desrespeitando chefes de Estado e organizações. Penso que sua tentativa é de despertar um sentimento nacionalista contra o mundo, alimentando sua ambição de se perpetuar no poder, O mundo é mau, eu Hugo Chávez sou bom, a Venezuela sou eu.
Chávez continua sua peregrinação pelo mundo juntando aliados contra o império do mal, os Estados Unidos. Em recente visita ao Irã depois do encontro da Opep, ele ameaçou os Estados Unidos com mais uma alta do petróleo, como só os americanos sofressem com isso. Será que ele não sabe que o mundo inteiro é prejudicado com sua falta de juízo?
A máscara do “ditador” Chávez está caindo, a população venezuelana já está se mobilizando, os estudantes (sempre eles) já estão indo às ruas protestar contra o domínio chavista. Os petrodólares do “camarada” Chávez não conseguem comprar uma população, que começa a gritar por uma democracia verdadeira, respeitando as instituições e a liberdade. Chávez, você não é a Venezuela, a nação é maior.
A 17ª Cúpula Ibero-americana de chefes de Estado e de governo só não foi um fracasso total porque aconteceu uma cena inusitada, protagonizada pelo Rei da Espanha Juan Carlos e o Presidente “camarada” Hugo Chávez.
A discussão começou quando Chávez criticava severamente o ex-primeiro ministro espanhol José María Aznar o chamando de facista e o atual primeiro ministros espanhol José Luis Rodríguez Zapatero pediu respeito a Chávez, pois, mesmo não concordando com as idéias do seu antecessor, Zapatero lembrou que ele foi eleito democraticamente pelo povo espanhol. O Presidente venezuelano não parava de falar e ouviu um “¿por qué no te callas?” do rei espanhol, que se retirou do encontro.
O marco desse episódio foi que pela primeira vez cara-a-cara alguém teve a coragem de tentar colocar Chávez no seu lugar. O Presidente venezuelano não se comporta diplomaticamente em suas aparições, desrespeitando chefes de Estado e organizações. Penso que sua tentativa é de despertar um sentimento nacionalista contra o mundo, alimentando sua ambição de se perpetuar no poder, O mundo é mau, eu Hugo Chávez sou bom, a Venezuela sou eu.
Chávez continua sua peregrinação pelo mundo juntando aliados contra o império do mal, os Estados Unidos. Em recente visita ao Irã depois do encontro da Opep, ele ameaçou os Estados Unidos com mais uma alta do petróleo, como só os americanos sofressem com isso. Será que ele não sabe que o mundo inteiro é prejudicado com sua falta de juízo?
A máscara do “ditador” Chávez está caindo, a população venezuelana já está se mobilizando, os estudantes (sempre eles) já estão indo às ruas protestar contra o domínio chavista. Os petrodólares do “camarada” Chávez não conseguem comprar uma população, que começa a gritar por uma democracia verdadeira, respeitando as instituições e a liberdade. Chávez, você não é a Venezuela, a nação é maior.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Que sei eu de mim ?
Por Telma De Luca
Final de semana mais do que prolongado em São Paulo. Dois feriados "emendados" e vários dias de folga. E no meio do caminho, um ciclo de palestras. "Obrigação chata!", pensei num primeiro momento. Tolinha.
Tive o prazer de assistir a algumas das palestras do I Salão Nacional do Jornalista Escritor, realizado no Memorial da América Latina. Jornalistas-escritores mais do que experientes dando seus depoimentos, falando sobre nossa profissão, suas agruras e suas recompensas. Tudo muito produtivo e enriquecedor. Saí de lá ainda mais certa de estar no caminho, mas...não foi esse o pensamento que me corroeu e fez minha alma revirar. Saí de lá pensando na humildade.
Sim, na humildade. Não na falsa humildade, aquela que vem recoberta por uma certa camada de timidez ou de deslocamento social. Não. Aquela. A verdadeira. A que nos faz olhar com firmeza nos olhos dos outros, ver seu brilho e sabiamente reconhecê-lo.
Aquela, de saber que somos eternos aprendizes, mesmo quando, pretensamente, já "vimos de tudo nessa vida". A humildade de conhecer nosso talento e, ainda assim, saber ouvir, aprender, apreender e guardar o que houver de bom nas palavras de alguém.
Não acho, mesmo, que alguém deva se fingir de menos ou colocar-se na posição de "coitadinho" para parecer humilde. Não. A segurança de dizer "não sei" é muito mais honesta e verdadeira do que a pretensão de tudo saber ou conhecer. Alguém já disse "Só sei que nada sei" (Sócrates ?) e eu, pretensa filósofa de mesa de bar, digo,depois de tantos exemplos, "só sei que nada sei, ainda bem !".
Final de semana mais do que prolongado em São Paulo. Dois feriados "emendados" e vários dias de folga. E no meio do caminho, um ciclo de palestras. "Obrigação chata!", pensei num primeiro momento. Tolinha.
Tive o prazer de assistir a algumas das palestras do I Salão Nacional do Jornalista Escritor, realizado no Memorial da América Latina. Jornalistas-escritores mais do que experientes dando seus depoimentos, falando sobre nossa profissão, suas agruras e suas recompensas. Tudo muito produtivo e enriquecedor. Saí de lá ainda mais certa de estar no caminho, mas...não foi esse o pensamento que me corroeu e fez minha alma revirar. Saí de lá pensando na humildade.
Sim, na humildade. Não na falsa humildade, aquela que vem recoberta por uma certa camada de timidez ou de deslocamento social. Não. Aquela. A verdadeira. A que nos faz olhar com firmeza nos olhos dos outros, ver seu brilho e sabiamente reconhecê-lo.
Aquela, de saber que somos eternos aprendizes, mesmo quando, pretensamente, já "vimos de tudo nessa vida". A humildade de conhecer nosso talento e, ainda assim, saber ouvir, aprender, apreender e guardar o que houver de bom nas palavras de alguém.
Não acho, mesmo, que alguém deva se fingir de menos ou colocar-se na posição de "coitadinho" para parecer humilde. Não. A segurança de dizer "não sei" é muito mais honesta e verdadeira do que a pretensão de tudo saber ou conhecer. Alguém já disse "Só sei que nada sei" (Sócrates ?) e eu, pretensa filósofa de mesa de bar, digo,depois de tantos exemplos, "só sei que nada sei, ainda bem !".
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Câmara dos Deputados censura arte.
Por Thais Marcondes
Na foto, Rogéria aparece vestindo uma camisa masculina aberta, uma gravata e está com pernas cruzadas mostrando os pêlos pubianos. A exposição mostra retratos de personalidades que vão de Fernando Collor, Armando Falcão e Antonio Carlos Magalhães a Tom Jobim, Cauby Peixoto, os jogadores Didi e Betinho, Zagallo e o presidente Lula fumando um charuto, envolto numa nuvem de fumaça
Com tempo de sobra, na manhã de hoje, deputados da Câmara censuram uma das 24 fotografias da exposição Heróis, do fotógrafo Luiz Garrido, expostas no Salão Negro do Congresso Federal.
A foto da transformista Rogéria, chamou a atenção da chefe do setor de Relações Publicas da Câmara, Silva Mergulhão, alegando que a foto não poderia ser exposta pelo fato da exposição ser visitada por menores de idade.
Tal fato ocasionou grande bate boca, e o chefe de gabinete da Diretoria Geral, Pedro Pelegrini, pediu à organizadora Karla Osório que retirasse a foto, entretanto Karla argumentou que somente retiraria a foto se toda exposição fosse censurada também, alegando que o conjunto da obra formava a essência que a exposição gostaria de transmitir.
Tal fato ocasionou grande bate boca, e o chefe de gabinete da Diretoria Geral, Pedro Pelegrini, pediu à organizadora Karla Osório que retirasse a foto, entretanto Karla argumentou que somente retiraria a foto se toda exposição fosse censurada também, alegando que o conjunto da obra formava a essência que a exposição gostaria de transmitir.
Na foto, Rogéria aparece vestindo uma camisa masculina aberta, uma gravata e está com pernas cruzadas mostrando os pêlos pubianos. A exposição mostra retratos de personalidades que vão de Fernando Collor, Armando Falcão e Antonio Carlos Magalhães a Tom Jobim, Cauby Peixoto, os jogadores Didi e Betinho, Zagallo e o presidente Lula fumando um charuto, envolto numa nuvem de fumaça
A discussão foi finalizada com a Câmara cobrindo a foto com um tapete e censurando a foto ao invés de se preocuparem com os problemas empurrados para baixo do tapete vermelho por onde eles passam.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Falta gás para o Brasil crescer e inteligência para os nossos governantes
Por Romero Cruz
Na quarta-feira da semana passada, a Petrobrás interrompeu parcialmente o fornecimento de gás para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, mas teve que normalizar o abastecimento após decisão da justiça do Rio. Especialistas afirmam que a redução do fornecimento de gás no Rio e em São Paulo é a "crônica de uma crise anunciada".
A indústria nacional depende do gás que vem da Bolívia como gerador de energia para a sua produção, usado também nas termoelétricas, pois nossas hidroelétricas não dão conta de atender a demanda, além do comércio, residências e nossos carros com GNV (cujo uso é incentivado pelo governo).
Nos anos 90 o Brasil fechou acordo com o governo boliviano para exportação do gás, investindo na construção de refinarias e inaugurando em 1998 o gasoduto Brasil-Boívia, com o investimento total de 8 bilhões de dólares. Em maio do ano passado o Presidente boliviano Evo Morales decide nacionalizar toda a produção de hidrocarbonetos, “invadindo” as refinarias da Petrobrás Bolívia com militares, causando um constrangimento mundial ao governo brasileiro. Só em maio desse ano o governo boliviano paga US$ 112 milhões de dólares de indenização ao governo brasileiro, que queria 160 milhões. Depois disso a Bolívia ainda cortou a exportação em 20% e aumentou o preço do gás.
O governo brasileiro poderia ter agido com “pulso firme”, exigindo o cumprimento dos contratos por parte do governo boliviano junto a OMC (Organização Mundial do Comércio), mas o que vimos foi o Presidente Lula defendendo a atitude do seu “camarada” boliviano. O Brasil continuou importando o gás boliviano, já que não tinha alternativa em curto prazo. Houve crescimento industrial, conseqüente aumento do consumo e nenhum investimento (lógico) da Petrobrás na Bolívia. Agora, nosso presidente tem que ir à Bolívia atender às chantagens do seu “camarada” boliviano, que exige investimento brasileiro em seu país.
O medo de um apagão (como em 2001) afasta os investimentos de longo prazo. Segundo Hélder Queiroz, professor da UFRJ, afirma que na prática existe, um "racionamento branco" de gás. "Se um grande projeto industrial precisasse de gás no Sul, a distribuidora não teria como atendê-lo. Qualquer demanda adicional já enfrentava restrição de oferta. Não tem plano nem prioridade e muito menos uma sinalização clara da demanda", disse. http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u341715.shtml
A falta de planejamento do setor energético é clara. Quais são os investimentos em fontes alternativas de energia? Como por exemplo, energia solar e eólica, que tem baixo custo e são puras, sem causar danos ambientais.
Nesta segunda-feira, nosso presidente afirmou que está fazendo "o que precisa ser feito”. Primeiro ele não disse o que está fazendo e segundo é o que se espera do presidente, que se faça algo com inteligência. Pois não tenho tanta fé pra fazer chover, nem paciência para ouvir demagogia. A culpa está sempre no passado.
Na quarta-feira da semana passada, a Petrobrás interrompeu parcialmente o fornecimento de gás para os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, mas teve que normalizar o abastecimento após decisão da justiça do Rio. Especialistas afirmam que a redução do fornecimento de gás no Rio e em São Paulo é a "crônica de uma crise anunciada".
A indústria nacional depende do gás que vem da Bolívia como gerador de energia para a sua produção, usado também nas termoelétricas, pois nossas hidroelétricas não dão conta de atender a demanda, além do comércio, residências e nossos carros com GNV (cujo uso é incentivado pelo governo).
Nos anos 90 o Brasil fechou acordo com o governo boliviano para exportação do gás, investindo na construção de refinarias e inaugurando em 1998 o gasoduto Brasil-Boívia, com o investimento total de 8 bilhões de dólares. Em maio do ano passado o Presidente boliviano Evo Morales decide nacionalizar toda a produção de hidrocarbonetos, “invadindo” as refinarias da Petrobrás Bolívia com militares, causando um constrangimento mundial ao governo brasileiro. Só em maio desse ano o governo boliviano paga US$ 112 milhões de dólares de indenização ao governo brasileiro, que queria 160 milhões. Depois disso a Bolívia ainda cortou a exportação em 20% e aumentou o preço do gás.
O governo brasileiro poderia ter agido com “pulso firme”, exigindo o cumprimento dos contratos por parte do governo boliviano junto a OMC (Organização Mundial do Comércio), mas o que vimos foi o Presidente Lula defendendo a atitude do seu “camarada” boliviano. O Brasil continuou importando o gás boliviano, já que não tinha alternativa em curto prazo. Houve crescimento industrial, conseqüente aumento do consumo e nenhum investimento (lógico) da Petrobrás na Bolívia. Agora, nosso presidente tem que ir à Bolívia atender às chantagens do seu “camarada” boliviano, que exige investimento brasileiro em seu país.
O medo de um apagão (como em 2001) afasta os investimentos de longo prazo. Segundo Hélder Queiroz, professor da UFRJ, afirma que na prática existe, um "racionamento branco" de gás. "Se um grande projeto industrial precisasse de gás no Sul, a distribuidora não teria como atendê-lo. Qualquer demanda adicional já enfrentava restrição de oferta. Não tem plano nem prioridade e muito menos uma sinalização clara da demanda", disse. http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u341715.shtml
A falta de planejamento do setor energético é clara. Quais são os investimentos em fontes alternativas de energia? Como por exemplo, energia solar e eólica, que tem baixo custo e são puras, sem causar danos ambientais.
Nesta segunda-feira, nosso presidente afirmou que está fazendo "o que precisa ser feito”. Primeiro ele não disse o que está fazendo e segundo é o que se espera do presidente, que se faça algo com inteligência. Pois não tenho tanta fé pra fazer chover, nem paciência para ouvir demagogia. A culpa está sempre no passado.
domingo, 4 de novembro de 2007
A vaca foi pro brejo...
Por Telma De Luca
Esta semana resolvi escrever sobre um assunto que é pauta de todos os veículos de comunicação ultimamente: o tal do leite adulterado. E, sinceramente? Eu não sei o que é mais prejudicial à saúde: o leite ou as declarações de nossos representantes a respeito.
O Ministério da Agricultura diz que "não há risco iminente para a população". Sim, acredito que ninguém morra horas depois de beber o leite, mas a longo prazo o que acontece com o nosso organismo? No mínimo, não temos os benefícios deste alimento tão importante para as crianças e para os idosos, que precisam de doses maiores de cálcio para terem ossos fortes. Já o deputado Paulo Piau (PMDB-MG) provou o leite em público para mostrar que não existe problema algum e ainda afirmou:"É um produto fraudado? É, mas até o fraudado tem a sua qualidade".
Então, peraí. Vamos por partes. A declaração do Ministério mais se parece com aquela famosa afirmação de Paulo Maluf "estupra, mas não mata". Sim, o leite causa danos, mas não mata, portanto, bebam tranqüilos ! Já a do deputado me faz pensar nos produtos piratas à venda no País e sobre os quais podemos seguir a mesma lógica "É um produto pirata? É, mas até o pirata tem a sua qualidade". São iguaizinhos. Ambos produzem empregos, sustentam famílias inteiras e... rendem bastante aos fiscais do Governo. Do contrário, já estariam banidos.
Além disso, o mesmo deputado disse que querer melhorar a qualidade do leite a curto prazo é o mesmo que querer acabar com o analfabetismo no Brasil.
Sabe que nesse ponto eu concordo com ele ? Ambas tarefas exigem esforço, trabalho maciço, realização de fato, menos bla bla bla, contratação de gente capacitada e disposta e interesse verdadeiro em ter um povo capaz de entender e criticar. Realmente, diante do quadro político que vemos hoje, parece impossível.
E enquanto isso, na Sala de Justiça...cuatro años más para el compañero ???
Esta semana resolvi escrever sobre um assunto que é pauta de todos os veículos de comunicação ultimamente: o tal do leite adulterado. E, sinceramente? Eu não sei o que é mais prejudicial à saúde: o leite ou as declarações de nossos representantes a respeito.
O Ministério da Agricultura diz que "não há risco iminente para a população". Sim, acredito que ninguém morra horas depois de beber o leite, mas a longo prazo o que acontece com o nosso organismo? No mínimo, não temos os benefícios deste alimento tão importante para as crianças e para os idosos, que precisam de doses maiores de cálcio para terem ossos fortes. Já o deputado Paulo Piau (PMDB-MG) provou o leite em público para mostrar que não existe problema algum e ainda afirmou:"É um produto fraudado? É, mas até o fraudado tem a sua qualidade".
Então, peraí. Vamos por partes. A declaração do Ministério mais se parece com aquela famosa afirmação de Paulo Maluf "estupra, mas não mata". Sim, o leite causa danos, mas não mata, portanto, bebam tranqüilos ! Já a do deputado me faz pensar nos produtos piratas à venda no País e sobre os quais podemos seguir a mesma lógica "É um produto pirata? É, mas até o pirata tem a sua qualidade". São iguaizinhos. Ambos produzem empregos, sustentam famílias inteiras e... rendem bastante aos fiscais do Governo. Do contrário, já estariam banidos.
Além disso, o mesmo deputado disse que querer melhorar a qualidade do leite a curto prazo é o mesmo que querer acabar com o analfabetismo no Brasil.
Sabe que nesse ponto eu concordo com ele ? Ambas tarefas exigem esforço, trabalho maciço, realização de fato, menos bla bla bla, contratação de gente capacitada e disposta e interesse verdadeiro em ter um povo capaz de entender e criticar. Realmente, diante do quadro político que vemos hoje, parece impossível.
E enquanto isso, na Sala de Justiça...cuatro años más para el compañero ???
Assinar:
Comentários (Atom)