quinta-feira, 22 de maio de 2008

Preservar a memória

Revisitei a Estação Pinacoteca, no prédio onde funcionava o DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). A arquitetura é bela, o edifício, projetado por Ramos de Azevedo, serviria à Companhia de Trens Sorocabana, mas sua finalidade acabou sendo a de abrigar o órgão de controle, responsável por coibir práticas "perigosas" que, como seu proprio nome diz, colocassem em risco a ordem política e social.
É impressioante pensar como se vivia, sob o jugo de um poder violento e de voz unilateral. Aos que tentavam reagir, prisões, torturas, deportações, morte. Um período sombrio e que pode ser sentido assim que entramos no prédio. As celas propriamente ditas ficavam em um "anexo", separadas do local onde as torturas eram levadas a cabo.É um lugar pequeno, mas nesses poucos metros a sensação de incômodo é grande, mesmo sendo um ambiente arejado e iluminado, provavelmente muito diferente do que era na época. As paredes foram encobertas com tinta cinza, não se pode mais ver o que os presos escreveram em seus momentos de desespero e solidão. Muitos documentos se perderam, pude ler em um jornal que estava à disposição que boa parte foi entregue ao público alguns anos depois da extinção do DOPS.
Nomes importantes do cenário político, cultural e religioso passaram por lá: Luis Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin, Raul Cortez, Ulisses Guimarães, Monteiro Lobato,D. Paulo Evaristo Arns. Há o nome deles registrado e acesso ao número do seu prontuário disponível no Arquivo Estadual. O espaço agora chama-se "Memorial da Resistência", nome que veio, a pedido dos ex-presos políticos, a substituir o poético e pouco apropriado "Memorial da Liberdade" .
É importante que ese local seja mantido, que a memória deste período importante da história recente do País seja preservada e que se busque entender os mecanismos através dos quais foi possível manter uma situação como aquela por mais de 20 anos.
Conheçam, vale a pena. Além do Memorial, há a exposição permanente " Direito à Memória e à Liberdade - a Ditadura no Brasil 1964-1985" e também exposições de arte temporárias. O endereço é Largo General Osório, no bairro da Luz. Funciona de terça a domingo, das 10 às 17:30 e a entrada é franca.

3 comentários:

Unknown disse...

Meu Deus! Que post mais infeliz!

O verdadeiro propósito do dito "Memorial da Resistência" é o oposto daquilo que dizem a que se propõem.

A verdade sobre o governo militar vem sendo paulatinamente sufocada pelas mentiras dos grupos terroristas que atuavam na época. A mentira dos perdedores, pois foram todos desbaratados, vem sendo proclamada incansavelmente, seguindo a velha máxima nazista e comunista, até que todos pensem que é verdade.

Se hoje gozamos de liberdade para dizermos o que queremos, é graças a ação do governo militar que demoliu os sonhos totalitários dos grupos terroristas que agiam nas décadas de 60 e 70 no Brasil. É mentira que eles lutavam pela liberdade. Eles lutavam para implantar no Brasil um regime totalitário semelhante ao cubano de Castro, ao chinês de Mao, ao russo de Stalin. Receberam armamentos, dinheiro e treinamento dos comunistas, mataram inocentes, sequestraram, assaltaram, traíram, mentiram (e continuam mentindo), executaram seus próprios companheiros que hoje figuram entre os "desaparecidos".

Os arquivos da "ditadura" não foram abertos até hoje! Lula e Dilma têm a chave e não abrem porquê? Têm medo que a sociedade venha a conhecer a folha corrida de seus companheiros? Ou guardam estes segredos para usar depois?

Vocês que são estudantes de jornalismo, atenção para não serem
contaminados com as mentiras convenientes da esquerda latino-americana.

Leiam e façam cópias do livro "Projeto ORVIL", disponível
gratuitamente em http://www.averdadesufocada.com/index.php?option=com_content&task=view&id=737&Itemid=78). É uma compilação dos arquivos da ABIN.

Leiam o livro do Cel. Carlos Alberto Brilhante Ustra, A Verdade
Sufocada.

Equipe Semana em Foco disse...

Fernando, talvez você não tenha entendido claramento o propósito deste post "infeliz". Não sou pró-comunismo, menos ainda pró-Lula e não acho que eles são anjos e santos que mereçam ser colocados no altar.
Mas foi um período violento, sim. Justificar a violência com a finalidade a que ela se propõe, é,no mínimo, sem sentido.
O meu intuito ao escrever o post foi realmente de fazer as pessoas conhecerem o lugar e a partir disso buscarem mais informações. Questionar, pensar no que elas vêem naquele lugar e estudar sobre as muitas verdades ainda escondidas.Até porque comprar verdades prontas não é muito inteligente, menos ainda para estudantes de jornalismo.
Não foi defesa pró-esquerda, até porque eu tenho na família gente que viveu nessa época e me conta muito detalhadamente o "outro lado", o tal do "comunismo que bebe uísque 12 anos", a falsidade que havia na luta de muitos dos grupos, os interesses nada honrosos que eles defendiam, mas que, ainda assim, não nega que havia muita violência arbitrária.
É isso.
Obrigada por comentar.

Equipe Semana em Foco disse...

Nem comunismo nem ditadura, nesse período o grande perdedor foi o Brasil e todo seu povo que perdeu por não viver uma democracia. Ainda bem que tudo isso passou e hoje podemos com liberdade debater idéias aqui nesse blog de maneira democratica.
Abs
Romero Cruz