segunda-feira, 10 de março de 2008

Recepção digna!?

Por Tatiana Melim

Nesta segunda-feira, o ministro da Justiça Tarso Genro negou a existência de um desentendimento nas relações entre o Brasil e a Espanha, segundo a reportagem da Folha on-line. No entanto, o ministro afirmou que pediu para a polícia federal aumentar a fiscalização da entrada de estrangeiros no país e defendeu que os brasileiros passem a ter o mesmo tratamento que os estrangeiros recebem ao desembarcar no Brasil.

Todo o “alvoroço” criado a respeito das relações entre Brasil e Espanha se deu depois do aumento, nos últimos tempos, de brasileiros que são barrados e impedidos de entrar na Espanha ao chegarem no aeroporto.

Segundo o que o nosso ministro da Justiça afirmou em relação ao tratamento de brasileiros no exterior, acredito que todos estão de acordo. Muitos que já viajaram ou que tem algum conhecido que já viajou para fora do país possuem relatos ou exemplos de preconceito, restrições ou maltrato no exterior. Indiscutivelmente temos que “exigir” uma atitude mais coerente, menos abusiva e sem preconceitos ou “fobias” aos brasileiros que, por algum motivo, vão ao exterior.

Entretanto, não podemos esquecer que, apesar da considerada “recepção digna” a que o ministro Tarso Genro se refere, muitos estrangeiros ao desembarcarem no Brasil se deparam com uma situação de demora nos vôos, horas na fila de espera, aeroportos lotados, etc. – todas aquelas situações de crise aérea que todos conhecem bem. Dessa forma, ao conseguirem entrar no Brasil, só conseguem fazer a visita (ou outra finalidade) de carro (a maioria tem condições para isso), pois ninguém quer se sujeitar ao que milhões de brasileiros se sujeitam todos os dias: ônibus lotados, demora para conseguir condução, “enfrentar” o trânsito de pé, entre outras situações que diversos brasileiros têm de se sujeitar.

E o Brasil quer cobrar mais fiscalização acreditando que a forma com que recebemos os estrangeiros é digna. Acredito que recepção digna não é abrir as portas e achar que todos os estrangeiros podem entrar em nosso país, e sim dar condições para aqueles que realmente vêm ao Brasil com alguma finalidade "digna" (Ler texto abaixo da Telma) a oportunidade de se sentir bem e gostar de tudo o que o Brasil poderia, quem sabe um dia, proporcionar.

* Em relação à prostituição, imigração ilegal e turismo, acredito que o texto abaixo da minha colega Telma elucida bem sobre o assunto.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Brasileño ? Fuera !

Por Telma De Luca

Nos últimos dias a imprensa brasileira tem repercurtido bastante a "expulsão" dos brasileiros na Espanha. A não-aceitação de vistos de estudantes mestrandos, professores. De acordo com o cônsul-geral do Brasil em Madrid, em reportagem da Folha Online, são cerca de dez brasileiros deportados todos os dias.
Não acho a generalização correta, mas estamos falando de um país onde o maior número de prostitutas é de brasileiras, onde muitos vão em busca do sonho de desbravar a Europa, sem as mínimas condições de sobrevivência. Há que ser rigoroso, sim. O que é bem diferente de ser preconceituoso, obviamente. A quem tenha condições de provar por que está lá, que tem como sobreviver, que sejam dadas as boas-vindas; aos outros, que sejam mesmo mandados de volta para seu país, seja Brasil, China ou Afeganistão.
Ao mesmo tempo, o Brasil começa a ser mais severo na avaliação dos estrangeiros que chegam ao País e eu pergunto: por que só agora ? Porque aqui temos a visão de que " é gringo, é bacana", sejam produtos, sejam pessoas. Parece que alguém falar que é estrangeiro, dá automaticamente o aval de boa pessoa, correta, trabalhadora. Hei ! Também existem pessoas fugindo da lei, traficando crianças e mesmo vindo buscar as tais prostitutas aqui, em nosso País. Na maioria das vezes utilizando de argumentos pouco convincentes, mas que as seduzem, seja por necessidade verdadeira, conveniência ou inocência.
A indústria do turismo é importantíssima, movimenta bilhões todos os anos e, infelizmente, ainda é mal explorada no Brasil. Colocar em prática de maneira rigorosa a Lei do Estranegiro é também uma maneira de fortalecer o turismo aqui, permitindo a entrada de quem consome , de quem tem interesse em conhecer a cultura e as belezas naturaias, não de quem vem atrás do país perdido da América do Sul, onde tudo é liberado e ninguém vê nada (opa, acho que eu já ouvi alguém falar isso...mas não me lembro bem quem foi...).

sábado, 1 de março de 2008

O bispo, os interesses e a liberdade

Por Romero Cruz

A Folha de São Paulo publicou uma reportagem da jornalista Elvira Lobato no dia 15 de dezembro sobre a fortuna acumulada da Igreja Universal do Reino de Deus. A reportagem mostra as empresas e seus donos que são ligados à igreja, como funcionam e o que acontece quando eles deixam de fazer parte da mesma. Jornais de circulação diária, agência de turismo, gráfica, táxi aéreo estão entre as empresas citadas na reportagem.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u355188.shtml

Até aí tudo bem, porém, surgiram ações pedindo indenizações por danos morais movidas por fiéis da igreja em diversas varas especiais do judiciário dos estados. O curioso é que alguns parágrafos dos processos chegam a ser iguais e como os pedidos são em estados diferentes dificulta a defesa. O juiz Edinaldo Muniz dos Santos, titular da comarca de Epitaciolândia, no Acre, disse que há um "assédio judicial", ou seja, "uma atuação judicial massificada e difusa da Igreja Universal contra o jornal".
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u370903.shtml

Às vezes fico a pensar que a IURD tem síndrome de perseguição, porque a imprensa não pode fazer nenhum tipo de reportagem ou notícia sobre a mesma, a não ser que passe uma imagem positiva. Vivemos um regime democrático, com liberdade de imprensa, liberdade religiosa e um estado laico. Atitudes como essa busca inibir a imprensa de cumprir com seu papel, que é de informar de maneira responsável e imparcial.

É extremamente normal que a IURD faça uso da Record para seus interesses, apesar de ser uma concessão pública, afinal eles são os donos. Os outros veículos fazem o mesmo na defesa de seus interesses. Lamento que nós, leitores, ouvintes e telespectadores somos vitimados por esse jogo de interesses, onde temos a informação que interessa a eles, não a que precisamos para o nosso conhecimento.

Programas jornalísticos com conteúdo propagandista da IURD na Record, confundindo o telespectador da informação, têm sido cada vez mais freqüentes. O triste é ver jornalistas sérios e com um histórico tendo que apresentar esses tipos de matérias. Em entrevista de Paulo Henrique Amorim á revista Ser Médico do CREMESP (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) ele é bem claro quando não se Poe no ar o que é de interesse da empresa “rompe o contrato, paga a multa e manda embora: esse é o jogo”.

Quanto a nós, tenhamos o senso crítico para a difícil tarefa de separamos o que é notícia do que é interesse das grandes corporações da imprensa no nosso país. Resta a nós estudantes de jornalismo, viver a utopia de um jornalismo sério, responsável e imparcial. Esse é o ideal enquanto não temos “nosso rabo preso”. Viva a liberdade religiosa! Nada de invadir terreiros de umbanda e candomblé nem quebrar imagem de santos em igrejas. Viva a liberdade de imprensa! Nada de ações judiciais que ameace a informação verdadeira.